O documentário “Entre a Cruz e o Esquecimento: a Igreja do Rosário de Itapetininga” revisita a história de um dos principais patrimônios culturais do município e propõe uma reflexão sobre memória, urbanização e preservação histórica.
Com proposta educacional, o documentário aborda diferentes temas que atravessam a trajetória da igreja, como relações raciais, formação urbana e preservação do patrimônio histórico.
A produção é realizada pelo Coletivo 015, grupo cultural atuante em Itapetininga desde 2019. O filme tem direção de Luis Henrique de Barros Portella e foi idealizado em conjunto com Edwin Taves e Luna Formaggi. A equipe é formada por integrantes e colaboradores do coletivo.
A narrativa parte da história da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, construída em 1840. De acordo com registros históricos, o templo foi erguido por pessoas negras escravizadas, que realizavam o trabalho aos domingos, sob supervisão de Antônio Florêncio de Azevedo, conhecido como Mestre Florêncio.
Ao longo do século XIX e início do século XX, o local se consolidou como um importante espaço de encontro religioso e cultural. A igreja abrigou a Irmandade do Rosário de Itapetininga, associação formada por escravizados e libertos, comum em diferentes regiões do Brasil e associada à organização social da população negra.
O largo onde está situada a igreja também foi palco de manifestações culturais tradicionais, como congadas de origem africana, bugradas de influência indígena, além de quermesses, festas de São Benedito, celebrações do 13 de maio e outras atividades populares.
Segundo a pesquisa apresentada no documentário, o espaço já era utilizado anteriormente como cemitério, antes mesmo da construção da primeira capela.
O filme também aborda as transformações urbanas que marcaram o entorno da igreja ao longo do século XX. Reformas realizadas com materiais diferentes dos originais — como o uso de cimento em substituição à taipa — e o aumento do tráfego de veículos na região são apontados como fatores que contribuíram para o desgaste estrutural do prédio histórico.
Em 2024, tanto o templo quanto a Rua Venâncio Aires, em frente à igreja, permanecem bloqueados. A decisão foi tomada por medidas de segurança pela Diocese, responsável pelo prédio, após a queda de algumas pedras da torre. O episódio reacendeu discussões sobre a preservação do patrimônio histórico na cidade.
A base teórica do documentário inclui estudos do sociólogo Oracy Nogueira, referência em pesquisas sobre relações raciais no Brasil, além do artigo “O Afrocatolicismo em terras paulistas: as igrejas de Nossa Senhora do Rosário”, de Caio Felipe Gomes Violin e Renata Baesso Pereira, publicado em 2023 na revista Patrimônio e Memória.
A produção também reúne depoimentos do jornalista e geógrafo Maurício Hermann e do arquiteto e pesquisador Igor Chaves, doutor em políticas públicas, que analisam a importância histórica, social e urbana da igreja.
Estreia
A estreia pública do documentário está prevista para o dia 18 de abril, às 19h, na Praça do Rosário, em frente à igreja.
A exibição faz parte da Feira Mestre Florêncio, evento cultural que deve reunir apresentações musicais, escritores da região, atividades para crianças e uma feira criativa com artistas e produtores locais.
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