O título deste texto, certamente irá induzir o leitor a pensar que o mesmo refere-se à alguma “piadinha” ou anedota envolvendo dois portugueses, ou na melhor das hipóteses, tratar-se da história de dois reis medievais de Portugal. Aprendemos na escola primária que, quando Cabral chegou ao Brasil, o rei português era Dom Manuel I, “O Venturoso” que reinou de 25 de outubro de 1495 a 13 de dezembro de 1521. Mas, por outro lado, Portugal nunca teve rei com nome de Dom Joaquim.
O título, na verdade, refere-se a dois príncipes da Igreja Católica e Apostólica Romana e que são brasileiros, nascidos em Itapetininga. Os dois são os únicos conterrâneos em nossa história, que atingiram o alto grau de Bispo da Igreja Católica, o que com certeza, é um orgulho para todos nós e eleva, enobrece e honra ainda mais o nome de nossa urbe.
Através da notícia em “primeira mão” na manchete principal do Correio de Itapetininga, da semana passada, com o título “Papa Francisco nomeia itapetiningano como novo bispo da diocese de Registro”, fiquei sabendo do auspucioso fato de que o Padre Manoel Ferreira dos Santos Junior (MSC), atual reitor e pároco do Santuário de Nossa Senhora Aparecida do Sul de nossa cidade e nascido no Distrito de Morro do Alto foi eleito como o novo Bispo da Diocese de Registro/SP. Dom Manoel, com 51 anos e filho do Diácono Manoel Ferreira dos Santos e da Sra. Zilda Pedroso dos Santos, residentes no município de Sarapuí/SP, nascido em 21 de março de 1967 e cuja Sagração Episcopal está prevista para o dia 21 de julho de 2018, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida do Sul e com a posse na Catedral de Registro programada para o dia 19 de agosto, ambas às 10 horas, é o primeiro itapetiningano a ser nomeado enquanto desempenhava o ministério sacerdotal em Itapetininga e o segundo aqui nascido.
A primeira nomeação de um itapetiningano como bispo, ocorreu em 1883, quando Dom Joaquim José Vieira foi indicado pelo Imperador Dom Pedro II, através de Decreto Imperial assinado em 3 de fevereiro desse ano e confirmado pelo Papa Leão XIII em 9 de dezembro do mesmo ano. Nessa época a Igreja não era separada do Estado. Coincidentemente Dom Joaquim, nasceu em Alambarí, em 17 de janeiro de 1836, na época um dos distritos de nosso município. Por ocasião de sua nomeação, Dom Joaquim, então com 47 anos de idade, era vigário da Igreja Matriz de Campinas/SP e foi designado para ser bispo da Diocese do Ceará, com sede em Fortaleza. Tomou posse em 24 de fevereiro de 1884 e após 30 anos de fecundo episcopado pediu sua renúncia em 16 de setembro de 1912, embora permanecesse no cargo no Ceará até 1914, quando decidiu voltar para Campinas, passando a residir na Santa Casa de Misericórdia, da qual foi o fundador em 1871. Faleceu em Campinas, no dia 08 de julho de 1917, tendo sido sepultado no jardim defronte a Santa Casa, onde foi erguido um monumento em sua memória. Posteriormente, seus restos mortais foram transportados para a cripta da Catedral Metropolitana de Campinas.
Dom Joaquim era bisneto de Domingos José Vieira – um dos fundadores de Itapetininga – e filho do Major Manoel José Vieira e de Maria Teolinda de Souza. Duas de suas sobrinhas, Umbélia Augusta do Amaral Vieira e Anna Genoveva do Amaral Vieira, filhas de seu irmão Lucio Manoel José Vieira e de Maria do Sacramento Cavalheiro do Amaral, são as avós paterna e materna respectivamente, do decano dos Diáconos da Diocese de Itapetininga, Antonio Cesar Piedade Pinheiro, nascido em 1942. O fato de suas avós terem sido irmãs e de Dom Joaquim ter sido tio de ambas, é decorrência do fato de seu pai, Bernardo Pinheiro da Silva (filho de Anna Genoveva e Leonce Augusto Pinheiro da Silva) ter se casado com sua prima Anna Genoveva Piedade (filha de Umbélia Augusta e Cesar Eugênio Piedade), em 1927 provavelmente. Coincidentemente a rua onde se situa a residência do Diacono Antonio Cesar leva o nome de seu tio bisavô Dom Joaquim. Em Alambari, hoje município e desmembrado de Itapetininga em 1991, a praça principal da Igreja Matriz local, tem o nome de Dom Joaquim José Vieira.
Por derradeiro, Dom Joaquim, que obviamente não pude conhecer pessoalmente, pois nasci em 1949, foi meu tio trisavô paterno, pois sou bisneto de Cesar Eugenio Piedade e de Umbélia Augusta do Amaral Vieira, uma de suas sobrinhas citadas anteriormente, que o chamava de “tio bispo”.
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