Flor Priscila tem 22 anos, nasceu em São Roque e atualmente mora em Tatuí. É escritora e poetisa, trabalha com oficina de poesia e está lançando neste mês um projeto de e-book gratuito de poesia. Sua primeira publicação impressa é o livro de contos “A marcha das efêmeras”, são 10 contos, em que todas as protagonistas são mulheres que buscam maneiras de sobreviver em suas dificuldades. Confira a entrevista exclusiva de Flor Priscila para o Correio:
Correio- Fale um pouco do seu livro “A marcha das efêmeras”.
Flor Priscila- De alguma maneira, todas elas são marginalizadas dentro da sociedade e elas buscam formas de superar essas dificuldades, não apenas de viver e de se conformar com aquilo, mas de enfrentar. O livro expõe o racismo, o classismo, o machismo e expõe nas suas personagens e nos ambientes como a desigualdade social é gritante e como ela é assassina. Eu não trago definições nem certezas, mas é um livro em que eu trago reflexões sobre a nossa dificuldade de enxergar o outro como enxergamos a nós mesmos. “A marcha das efêmeras” representa contos em que as personagens marcham através das dificuldades para tentar encontrar uma melhoria para as suas vidas e para a vida de seus filhos, emergir de todo o caos em que foram impostas .
Correio- O livro narra diversas vozes independentes que se encontram na vida de tantas mulheres que passam por situações parecidas. Como essas vozes interagem com a sua própria voz?
F.P.- Essas vozes interagem com a minha própria voz a partir do que nós temos de semelhante. Eu também sou uma mulher negra e periférica. Essas semelhanças e essas vivências que eu tenho, eu consigo transferir para personagens que têm vivências parecidas com as minhas.
Correio- Dizem que as mulheres estão cavando seu espaço no mundo literário só recentemente, mas nós sempre estivemos aqui, desbravando todos os gêneros. Você acha que o que mudou é que agora vozes femininas recebem mais reconhecimento? Ainda estamos na mesma?
F.P.- “Por muito tempo na história, anônimo era uma mulher”, essa frase é de Virginia Wolf e eu acredito muito nessa frase. Há pouco tempo atrás tínhamos pouquíssimas escritoras, a mulher não poderia escrever e se quisesse lançar um livro deveria ter um pseudônimo masculino. Porém, nós estamos sim tendo mais voz, mais espaço, mais reconhecimento e isso é um mérito nosso. Não é que estão dando nada para a gente, eu acredito que nós estamos conquistando realmente esse espaço literário na raça e provando que a gente tem sim capacidade para escrever boas obras. Não acredito que estamos na mesma, porém, também não acredito que está bom do jeito que está. Falta muito ainda para melhorar, mas já é um começo.
Correio- Quais são as suas grandes influências na literatura?
F.P.- Em primeiro lugar, Carolina Maria de Jesus, José Saramago, Conceição Evaristo, Solano Trindade, Adélia Prado, Cecília Meireles, Jairo Pereira, Mel Duarte e Sérgio Vaz.
Correio- Com a sua experiência na área, o que você falaria para uma mulher que deseja escrever livros?
F.P.- Eu diria “Não hesite. Comece, agora”. Quanto antes ela começar, mais ela vai adquirir prática. É a prática que vai aprimorar o texto, o estilo, vai fazer com que ela se encontre, vai fazer com que ela encontre qual é o tipo de texto e estilo que ela quer passar. Se ela se encaixa melhor no gênero da poesia, ou do conto, ou do romance, ou a crônica. Então não hesite, comece.















