Foi em cima de uma carroceria de caminhão estacionado na Virgílio de Resende, com 15 anos de idade, ao lado dos amigos Cristiano Prestes, Luizinho Sacy, Fernando Sacco e do irmão Luciano, que Roberto Santos, o Beto, começou sua carreira musical no conjunto “Papa Nicolau”. Durante um festival de música, em 1993, organizado pela prefeitura, a banda executou três músicas: uma do Sepultura, outra do Ramones e fechando a memorável estreia, cantaram a música “Polícia”, dos Titãs. A partir daí, o adolescente da Vila Nova, nunca mais parou de tocar e cantar.
As primeiras influências musicais vieram da mãe, a dona Marisilda, que ouvia as músicas tocadas na rádio e na vitrola no volume máximo. No repertório, ritmos díspares como canções italianas e Beatles, passando por Ray Coniff e MPB, além de Roberto Carlos. Aliás, o nome do vocalista foi uma homenagem da mãe ao Rei. Foi à mãe que o presenteou com o seu primeiro vinil, o LP Beto Coelho “25 Canções Preferidas”. As músicas, todas de domínio público, tinham arranjos em sopro e percussão que, sem ele perceber, influenciaram a sua carreira.
Mais tarde, Beto participou da fanfarra da escola professor Ataliba e tocava violão para os amigos. Depois do “Papa Nicolau”, participou da banda “Astronautas” e mais tarde, “Instinto”. Porém, o vocalista estava incomodado em “apenas” tocar rock e queria experimentar outros ritmos, como o samba e MPB. Depois de um conselho do amigo Paulinho Siqueira sobre a melodia da MPB, resolveu deixar o conjunto que liderava com o irmão, e a partir daí a banda “Beto Balanço” começou a ganhar corpo.
A primeira apresentação do “Beto Balanço” foi no Espaço do Som, no dia 13 de maio de 2011. A banda já teve inúmeras formações, mas a ideia inicial de levar ao público o melhor do samba-rock, permanece inalterada. O repertório sempre está recheado de músicas de Tim Maia, Novos Baianos, Paralamas, Titãs, entre outros.
Foi no Viernes Club, no último dia 6, que Beto concretizou um sonho antigo: fazer um show com músicas de Roberto Carlos. “Em Ritmo de Aventura” foi apresentado para quase 300 pessoas que curtiram a performance do vocalista homenageando o Rei e distribuindo rosas à plateia. A noite marcada com bom humor e muitas emoções rendendo um momento ímpar: faltaram rosas! Beto pediu uma rosa a uma fã e cruzou o espaço para entregá-la a uma convidada muito especial, a Dona Marisilda, que assistia emocionada ao show.
Pela rede social, o feedback da performance foi positivo, portanto o vocalista promete repetir a dose em breve. Mas apesar do sucesso, Beto confessou que foi o show em que mais ficou nervoso. “Amigo” e “Todos Estão Surdos” exigiu ensaios extras devido à complexibilidade das canções, principalmente a última, pois alia o balanço da música black com uma potente pregação.
Beto julga-se mais um ator do que um cantor e afirma: “penso muito na interpretação.”. No início da carreira, imitava o swing de Elvis Presley e a atuação despretensiosa de Raul Seixas nos palcos. Hoje, com seu estilo único, carrega suas apresentações com um alto astral contagiante, planejando num futuro breve, cantar as músicas de Gabriel, o Pensador.
Paralelo a sua carreira musical, Beto administra há cinco anos a “Cultura do Vinho”, no Jardim Itália, e acredita no crescimento da venda de vinhos na cidade. No Brasil, onde a preferência é a cerveja, o consumo de vinho vem crescendo significativamente. Estudos mostram que o país consome 1,79 litros consumidos per capita. Para se ter uma ideia, na Cidade do Vaticano, onde se bebe mais vinho no mundo, uma pessoa consome 54 litros por ano. Para Beto, os programas “gourmet” espalhados pela TVs, vêm ajudando a impulsionar a degustação do vinho como parte da alimentação, como antigamente: tragando junto com as refeições.
(Milton Cardoso)














