Foi no colo do pai, José Ramos, durante as procissões cristãs pelas ruas que o pequeno Gerson despertou uma paixão que lhe acompanharia pelo resto de sua vida. Mas não era pelo cortejo em si, mas a banda que tocava depois que o andor passava. O menino ficava fascinado e inquieto pela melodia dos metais, principalmente pela tuba sousafone (conhecida por baixo caramujo). Seus pais logo perceberam o arrebatamento do filho pela música e o presentearam em uma festa natalina com uma clarineta musical da Hering, instrumento musical infantil com teclas coloridas muito comum na década de 1980. Com este brinquedo, que ensinava as notas musicais através das cores, tocou sua primeira música, “Marcha Soldado”.
Foi na escola Sebastião Villaça, somente com 11 anos de idade, que teve sua primeira orientação musical através das aulas de Educação Artística, lecionada pela professora Vasti de Almeida. A Dona Vasti percebeu o talento de Gerson com a flauta doce e o retirava da sala de aula levando-o próximo à caixa d’água da escola. Neste local, aplicava-lhe lições extras longe do barulho da classe. No final daquele ano letivo, em 1982, orientou a família a inscrevê-lo na Escola Municipal de Música.
Na Escola Musical teve aulas de Teoria Musical com o professor José Maria de Camargo Jr. e depois, com o professor José Teixeira Barbosa, o saudoso “seu” Juca. Partiu do experiente músico o convite para estudar saxofone no Conservatório da cidade de Tatuí. Foi também através do “seu” Juca, aos 14 anos, que conheceu o diretor-artístico do Conservatório, Antônio Carlos Neves Campos, mais conhecido por maestro Neves.
Gerson considera o maestro e arranjador Neves seu “segundo pai”. O regente sempre o auxiliou bastante no início de sua carreira sendo o seu principal orientador sobre as possibilidades da música além do estilo erudito. A admiração mútua se estendeu além do campo musical, e Gerson tornou-se amigo da família, principalmente de Antônio Carlos, o Toninho, filho de Neves. Prova deste carinho foi que após o falecimento do maestro, em 2013, a família doou todo o material didático e arranjos para ele. Para se ter uma ideia do volume do material herdado, o saxofonista revela que daria para executar uma música por dia durante quarenta anos não repetindo um só arranjo!
Fã de Chet Barker, Paul Desmond e Phill Woods, Gerson contabiliza em seu currículo diversas participações na “Sam Jazz” (comandada pelo maestro Neves), da big band “Prata da Casa” (regida pelo maestro Rui Carvalho) e nas orquestras “Super T.A.”, “San Paul”, “Reveillon”, entre outros. Atualmente é o maestro responsável pelos 18 músicos da Banda Municipal de Itapetininga.
Nessa semana recebeu mais um presente da família Neves: todos os arranjos dos grandes festivais da década de 1960 da TV Record, compostos por maestros de grande envergadura do cenário nacional como os maestros Cipó e José de Arruda Pais, entre outros. Apesar da imensa alegria com estes históricos presentes, Gerson Ramos está muito preocupado com a redução da oferta de trabalho para os músicos afetados pela crise atual e o empobrecimento musical do País. Para este último problema, defende fervorosamente a volta do ensino musical nas escolas valorizando a riqueza dos ritmos musicais brasileiros.
(Milton Cardoso)
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