A artista plástica, Walkiria Paunovic, está promovendo com apoio da Lei Aldir Blanc, uma exposição de arte sacra com obras de beneditina Meinrada em escolas de Itapetininga. A primeira mostra será realizada na segunda-feira, dia 16 de junho, a partir das 19h, na Associação Nossa Senhora Rainha da Paz (ANSPAZ).
A iniciativa tem como foco apresentar aos estudantes o legado artístico da freira suíça que dedicou grande parte de sua vida à missão religiosa e cultural na cidade. Paunovic se debruçou sobre a restauração dos mosaicos da irmã Luise Meinrada, que chegou ao Brasil durante o período pós-guerra, lecionou artes e produziu dezenas de obras sacras até sua morte, em 1988.
Obras
Os mosaicos são peças únicas e belas, um trabalho minucioso da freira, que estudou técnicas de desenho, pintura a óleo, mosaico e xilogravura – para a qual ela revelou altas habilidades – em Munique, na Alemanha. As madres superioras de Luise a consideravam uma mulher fraca e frágil, mas de “habilidades incomparáveis”.
De acordo com Walkiria, o sonho de vida de Meinrada era dedicar-se às missões na África, contudo, devido ao seu sobrenome alemão e os eventos pós-guerra, foi enviada ao Brasil, onde residiu por poucos anos em Sorocaba, e logo em 1942, foi transferida para o Imaculada Conceição em Itapetininga.
“Eu me tornei muito fã da irmã Meinrada, ninguém fala sobre ela, mas suas obras estão em todo lugar da cidade”, relata Paunovic. Ela destaca que a freira foi responsável pelos mosaicos da Via-Sacra da igreja Nossa Senhora Aparecida, da igreja Nossa Senhora do Rosário e da Capela do Imaculada.
Exposições em escolas
A programação prevê cinco exposições em escolas e instituições da cidade: ANSPAZ, Projeto Guri, Projeto Casa, Escola José da Conceição Holtz e PEI Alceu Gomes da Silva.
“Meu objetivo era levar obras sacras para cinco escolas da periferia, porque os jovens estão precisando ver coisas boas. O jovem de hoje precisa ampliar seus conhecimentos culturais. É a arte clássica que pode expandir esses os conhecimentos e interesses das crianças”, explicou a artista plástica.
A acessibilidade também é prioridade: as exibições contarão com intérprete de Libras na transmissão de um documentário sobre a trajetória da artista, além de QR Codes junto às obras, contendo informações sobre suas técnicas, materiais e processo de produção.
Restauração
Os 13 mosaicos chegaram até a Casa Kennedy por uma doação da Igreja Nossa Senhora Aparecida, de Itapetininga, que precisava de um restaurador para salvar as artes dos cupins. “Foi um trabalho árduo e longo. Eu e Jorge Paunovic passamos cinco meses restaurando as peças, precisamos tirar os cupins, trocar a madeira e até mesmo estudar sobre as pedrinhas que Luise usava”.
“A restauração é uma arte também”, afirmou Paunovic. “É devolver vida a uma obra que está deteriorada”. Seu mosaico predileto é também o que mais foi difícil de restaurar: Jesus encontra com sua Mãe. “As pessoas e o mundo como um todo devem valorizar mais os artistas, porque eles dedicam a sua vida à arte, e é muito trabalhoso, um processo muito caprichoso, feito com paixão mesmo”, reflete.
Legado
A freira beneditina Luise Meinrada Heine, nomeada assim em homenagem ao santo alemão Meinrad de Einsiedeln, que foi conhecido como o “mártir da hospitalidade”, morreu aos 91 anos em dezembro de 1988 devido à um câncer no esôfago. Durante seu caminho na cidade, a artista produziu quarenta Via-Sacras para igrejas e capelas, incontáveis quadros e crucifixos, e ainda ilustrou histórias para a revista “O pequeno missionário” por uma década.

















