Por Fuad Abrão Isaac
Em julho acontece o terceiro encontro dos amigos dos anos 60/70 até 80 de Itapetininga. Um evento esperado por toda uma geração. Os organizadores criaram um grupo de WhatsApp, e de repente já são quase 180 pessoas. Assim começaram a aparecer os nomes.
E que nomes….
Gente que não víamos ou não ouvíamos falar há décadas, que haviam sumido pelo mundo. Nomes que estavam guardados em algum canto da memória e que, sem aviso, voltaram com força. Um puxa o outro, que lembra de mais um, que traz uma história — e assim vai se formando uma rede curiosa, quase improvável, como se a cidade de antes estivesse se reorganizando ali, na tela do celular.
E aí a gente volta… Volta para a Itapetininga de outro tempo. Não a de agora, mas aquela onde a vida girava em torno da praça e da Virgílio, dos bailes no Venâncio Ayres, no CRI. Debutantes, Havaí, Réveillon, aniversários… e o carnaval, sempre ele, esperado o ano inteiro, na rua e nos salões.
Tinham os bailinhos do Carlão, do Nelsinho, os festivais de música, e mais tarde um pouco, a Bullus e o Pigalle.
As piscinas do Venâncio e dos Bancários — cuja frequência era muito grande, porque piscina em casa era coisa rara. A Upani da Irmã Timótea, as boutiques do Chacrinha, do Cláudio Boca, a loja de discos do Jair. Lugares que, na época, eram só parte da rotina, mas hoje parecem quase cenário de filme.
E tinha também o simples: o pastel da feira, o X-salada do Egídio, o cachorro-quente do Romeu. O Rodovia, o Quibe Nai, o Sacyzinho, o Chiken News. Pequenas paradas que eram os pontos de encontro para contar sobre o que se passou na noite.
A trilha sonora não falhava: as lentas dos Pholhas e do Morris Albert, o rock de Raul e Rita Lee, a turma da MPB — Milton, Chico, Caetano, Gil e Elis nos fazendo questionar o mundo “Como nossos pais”. Cada um com o seu momento, cada um marcando uma fase.
Até o som dos carros tinha seu estilo. Nada de grave pesado. O que valia era o agudo, o tal do “tzzzzzzz” do tweeter. Se chiava bem, estava aprovado. E os carros? Fusca, Brasília, Chevete, Opala, Corcel e de vez em quando aparecia um Galaxi.
Para os adolescentes, Peixoto ou Modesto (da Zica Borba), e depois a Faculdade do Ozi ou a FKB. E no meio disso tudo, os namoros, as descobertas, as despedidas. Coisas que na época pareciam pequenas, mas que o tempo tratou de dar outro tamanho. Vou parar por aqui, porque serei injusto com outras memórias…
E agora vem o encontro.
Fica a pergunta: quem a gente vai reconhecer de primeira? Quem vai precisar de alguns segundos a mais? E quem vai estar presente só na conversa, na lembrança, naquele silêncio rápido que sempre aparece?
Talvez seja isso que mais mexe. Não é só rever pessoas. É tentar juntar as peças — do que fomos, do que ficou e do que virou história.
Já deixaram claro: nada de política, nada de religião… senão, “michou o carbureto”. Melhor assim. Tem coisa que não precisa de debate, só de memória.
Vai ser joia, bicho. Um encontro para rir, lembrar… e, quem sabe, se reconhecer um pouco no meio de tudo isso.



















