Longe dos holofotes comerciais, existe uma produção de rap rolando na periferia de Itapetininga. O rapper itapetiningano D’Brizze, 30 anos, é exemplo do esforço dos artistas locais para levar as rimas e poesias para a comunidade. Nascido na Vila Piedade, ele finaliza o 2º disco da sua carreira em um pequeno estúdio da Vila Mazzei. O CD “Além do que os olhos podem alcançar”, que estará à venda a partir de março, faz uma homenagens a artistas da região, como o Poeta do Monte Santo.
Além de ser citado em uma das letras do novo disco, o rapper foi além e tatuou o rosto do poeta em seu braço direito. O desenho foi resultado de um trabalho do tatuador Magno Almeida e da artista Tati Theodoro. “Eu me lembro dele quando era pequeno, ele ficava na praça da cidade e contava histórias e poesias para as crianças. Foi uma figura que marcou”, afirma o rapper que resolveu pesquisar mais sobre o trabalho de Edson de Abreu como era conhecido o poeta que morreu em 2001.
O poeta ficou conhecido em Itapetininga e divulgava seu trabalho da forma mais primitiva e original, recitando e cantando aos ouvintes, em pontos de ônibus, filas de banco, feiras ou mesmo nas ruas. O poeta do Monte Santo possuía mais de 150 poesias, além de dezenas de músicas, valsas, sambas, marchinhas carnavalescas, toadas sertanejas. “Infelizmente ele é esquecido aqui na cidade”, afirma D’Brizze.
Segundo D’Brizze, nome artístico de Reginaldo Rodrigues Sampaio, o rap é poesia e, no fundo, se aproxima daquilo que o poeta do fazia na cidade. Ele começou a se interessar por música inspirado pelo pai e avô que eram sanfoneiros. “Eu ouço de tudo e tudo o que ouço é pelo rap que me ajudou a sempre buscar mais, conhecer mais, tanto da música, quanto da história do Brasil e do mundo”, afirma.
No som dos rappers da cidade as influências locais ficam explicitas, explica o rapper Dabliueme. “Somos daqui do interior, queira ou não, vivemos outra realidade. Não podemos nos comparar com um rapper do Capão Redondo, por exemplo. É um lance regional, levantamos a bandeira dos músicos daqui, como Teddy Vieira, o poeta do Monte Santo”, afirma Dabliueme.
Apesar de serem pouco divulgados, os grupos de rap da cidade seguem forte na periferia. Na Vila Mazzei, por exemplo, existe um dos principais estúdios do gênero na região. “FyaBomb”, do rapper Dabliueme é o estúdio onde está sendo finalizado o disco de D’Brizze. No local, foram criadas dezenas de discos independentes de rap e outros gêneros musicais. Contato para apresentações e venda do disco: (15) 99658-5046 ou no Mercadão dos Bonés, na Loja Box 15.
Café das Magnólias promove encontro de empreendedoras na Casa da Cultura
O Café das Magnólia promove no sábado, dia 21, às 14h, um encontro voltado a empreendedoras de brechó, moda circular e pessoas interessadas em consumo consciente, na Casa da Cultura....














