Com a necessidade de arrecadar fundos para suas atividades os integrantes do Grêmio Estudantil Fernando Prestes, em 1967, decidiram montar o espetáculo “Novo Jeito de Pagar Velhas Dívidas”. O texto continha trechos de poesias e músicas de Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque e Tom Jobim, e ao final da montagem, os atores interpretavam um fragmento da polêmica peça, “Arena Conta Tiradentes”, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri.
Sucesso absoluto, “Novo Jeito” foi responsável pelo surgimento de um dos grupos mais importantes de Itapetininga: o Teatro Estudantil Gremista (TEG), com a direção artística de José Luiz Aires Holtz, o Grilo, e a coordenadoria de Ricardo Americano Freire. Após “Novo Jeito”, o grupo estudantil encenou“Procura-se uma Rosa” que, segundo os integrantes do grupo, rompeu a fase que classificaram como “sedativa” perante aos problemas sociais e políticos do País no período.
Em 1968, artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil, se unem no teatro Ruth Cardoso para a produção do espetáculo “1ª Feira Paulista de Opinião”. As obras criadas giravam em torno da seguinte questão: O que pensava o Brasil naqueles tempos difíceis. O sucesso do espetáculo, em junho, inspirou os jovens participantes do TEG a fazerem uma proposta parecida em Itapetininga resultando na montagem “O Que Acontece”. “O Que Acontece” reuniu seis peças curtas de autores Itapetininganos: “O Acordo”, de William Bittar, “O Que Será Desta Criança”, de Vancley Sacco, “Vidas”, de Antônio Élcio Berto, “Documentaria: Vietnã”, de José Luiz Holtz, “Motto Perpétuo”, de José Vendramini e “Província: Liga das Senhoras Nossas, de Moracy Rodrigues.
O elenco contava com Beth Abrão, Celeste Lopes, Clarindo Lamunier, Elcio Berto, Genefredo Filho, José Germano, José Luis, Maria Cândida Reis, Maria Helena, Maria José, Mauro Rolim, Regina Aboarrage, Rui Messias, Sadner Monteiro, Silvio Genesine e Vancley Sacco. A cenografia e iluminação ficou a cargo de Beato Penafreta e a sonoplastia com Vendramini e contrarregragem de Sadner Monteiro e Benedito Meira. A direção foi de Holtz.
Porém com a publicação do Ato Institucional n° 5, o endurecimento do regime da repressão e da censura, os artistas foram obrigados a se retraírem e repensar suas propostas artísticas e com os jovens do Teatro Estudantil de Itapetininga não foi diferente. Um dos mais difíceis golpes sofridos para o grupo foi o fechamento da sede do Grêmio.
Com o apoio de José Ozi, o grupo retomou os ensaios utilizando-se das lições dramáticas do russo Stanislavsky e exercícios de “libertação” de Augusto Boal. Montam primeiramente “Senhorita Júlia”, de Strindberg, e depois o emblemático “Estudo 1” com trechos de “O Julgamento de Sócrates”, de Platão, “Júlio César”, de Shakespeare, “Diário de Anne Frank”, de Goodrich e “Bicicletas do Condenado”, oração de Fernando Arrabal.
Ao participarem da fase eliminatória do VIII Festival de Teatro Amador da Baixa Sorocabana, o grupo com o elenco de Amilcar Mascarenhas, Ana Maria, Beth Abrão, Bruno Capoano, Celina Juventino da Silva, José Antônio Malatesta, Maria Cândida Reis e Regina Aboarrage e sob o comando de José Luiz Aires Holtz, foi preterido pelos jurados da Escola de Arte Dramática, que escolheram a montagem “A Morte do Caixeiro Viajante” como vencedora. A desclassificação gerou enorme polêmica em Sorocaba. Atualmente, existe poucas memórias da história do grupo. A última montagem teatral ocorreu em 1971, com “Marat Sade”.
Este espetáculo teve muita pesquisa em aulas de psicologia e aplicação dos denominados “exercícios de loucura”. O TEG realizou uma caprichada produção que contava com a trilha sonora exclusiva de Spartaco Rossi. Porém os quase oito meses de ensaio acabaram sendo frustrantes e censurados. Mesmo passados tantos anos e o pouco material sobre o grupo, ainda é possível encontrar por Itapetininga, alguns dos artistas que fizeram parte desta rica história que não será esquecida.
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