A alta no preço do ovo de galinha foi influenciada por fatores sazonais, questões climáticas, aumento da demanda e preço de insumos como o milho e farelo de soja. Esse movimento teve início na segunda quinzena de janeiro e se intensificou ao longo do mês passado, tornando o produto um dos vilões da inflação em fevereiro.
O Correio conversou com comerciantes e pequenos produtores do alimento em Itapetininga para entender como a crise se agrava no município.
A produtora Maria Luísa relata a dificuldade que tem enfrentado nos últimos meses com o aumento dos custos de produção, principalmente a alta dos insumos como o milho e a soja, que são a base da ração das aves. “Tenho feito de tudo para manter os preços justos para os clientes, mas a realidade é que os custos subiram demais. Como tento manter uma produção mais sustentável, mais simples, não uso métodos intensos que poderiam aumentar a quantidade de ovos, por exemplo”.
A propriedade conta com cinco hectares e ela ainda conta que, além do aumento dos preços, o clima tem sido um grande fator para o aumento. “No início do ano, esquentou demais. Eu mesma perdi até algumas galinhas por conta do calor. Nós que temos negócios pequenos, acabamos sofrendo mais”. O comerciante e diretor de uma empresa especialista em ovos no município, Júlio Ciro Sonoda, relata estar tentando mitigar os efeitos da alta do alimento. “É uma situação difícil, temos que nos reinventar a cada dia. As medidas são compras em maior volume, melhoria da logística para economia de tempo e combustível, diminuição da margem de lucro”.
Sobre a diminuição do valor do alimento, ele relata: “Não tem como prever, diante da incerteza do cenário internacional e da lei da oferta e procura”.
Com a chegada da quaresma, onde muitas pessoas substituem a carne vermelha por outros alimentos, como penitência, a procura pelo menor preço tem aumentado ainda mais.
No mês passado, o ovo subiu 15,4%, registrando a maior alta do segmento alimentação e bebidas. Com isso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desse grupo ficou em 0,79% no mês passado.
Em Itapetininga, o preço mais caro apurado pelo Correio foi de R$ 29,99, em uma unidade com 20 ovos, em um supermercado localizado no Centro da cidade.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) argumenta que a alta é sazonal e sempre ocorre no início do ano, especialmente no período da Quaresma, em razão do aumento na demanda, com a substituição do consumo de carne vermelha por carnes brancas e ovos. Além disso, o aumento na temperatura em regiões produtoras da proteína contribuiu para a redução da produção das matrizes poedeiras.

















