A declaração do Imposto de Renda 2026 já começou e, em Itapetininga, a expectativa é que 37.645 contribuintes enviem suas informações à Receita Federal neste ano. Segundo a contadora Luma Godoi, embora a estrutura do documento permaneça semelhante à dos anos anteriores, é importante redobrar a atenção no preenchimento, já que o cruzamento de dados feito pela Receita está cada vez mais rigoroso, aumentando o risco de inconsistências e retenção em malha fina.
De acordo com a Receita Federal, o prazo para envio das declarações vai até 29 de maio. Devem declarar os contribuintes que receberam rendimentos tributáveis superiores a cerca de R$ 33,8 mil em 2025, além de pessoas que tiveram ganho de capital, realizaram operações na bolsa de valores ou registraram evolução patrimonial relevante.
No ano anterior, foi entregue o total de 37.259 declarações dentro do prazo em Itapetininga. Até o fechamento desta matéria, em 2026 já foram declarados 6.719 impostos na cidade.
Especialista orienta contribuintes sobre a declaração
Apesar da expectativa por alterações na tabela do imposto nos próximos anos, Godoi explica que a declaração entregue em 2026 ainda segue as regras anteriores. Segundo ela, houve aumento no rigor da fiscalização, o que eleva o risco de retenção em malha fina em caso de inconsistências.
“Quanto mais fontes de renda o contribuinte possui, maior é a chance de divergências com os dados informados pelas fontes pagadoras à Receita Federal. Por isso, é necessário redobrar a atenção no preenchimento”, afirma.
Nova faixa de isenção
O Governo Federal anunciou recentemente mudanças na tabela do Imposto de Renda, ampliando a faixa de isenção. A partir de 2026, contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil deverão ficar isentos do imposto. Já quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 terá redução gradual da carga tributária.
No entanto, a mudança não impacta diretamente a declaração entregue em 2026, já que ela considera os rendimentos obtidos em 2025. Na prática, os efeitos completos da nova tabela devem aparecer apenas nas declarações dos próximos anos.
Mesmo assim, Godoi alerta que muitos contribuintes confundem isenção com dispensa da declaração. “Mesmo uma pessoa isenta de pagar imposto pode continuar obrigada a declarar, dependendo de outros critérios estabelecidos pela Receita”, explica.
Segundo a contadora, a nova faixa de isenção já começa a influenciar o planejamento tributário dos contribuintes. “Decisões tomadas ao longo do ano, como definição de pró-labore, distribuição de lucros, resgates de investimentos ou organização de rendimentos, podem ser feitas de forma mais estratégica. O ideal é não pensar no imposto apenas no momento da declaração, mas durante todo o ano”, orienta.
Malha fina
De acordo com Godoi, as principais inconsistências que levam contribuintes à malha fina continuam sendo omissões ou divergências de informações.
Entre os erros mais comuns estão:
- omissão de rendimentos como salários, aluguéis ou aposentadorias;
- não declarar rendimentos de dependentes;
- divergências entre valores declarados e informes de bancos ou planos de saúde;
- omissão de investimentos;
- valores incorretos em pensão alimentícia.
Ela destaca ainda que despesas com saúde, educação, previdência oficial e privada e dependentes continuam sendo dedutíveis. “O principal ponto de atenção é a comprovação das despesas. Gastos médicos, por exemplo, são um dos itens mais fiscalizados pela Receita Federal”, alerta.
Modelo simplificado ou completo
A especialista recomenda que os contribuintes observem as orientações do próprio programa da Receita Federal ao escolher entre o modelo simplificado ou completo.
O modelo simplificado costuma ser mais vantajoso para quem possui poucas despesas dedutíveis. Já o modelo completo tende a beneficiar contribuintes com gastos relevantes em áreas como saúde, educação ou dependentes.
Prioridade na restituição
A Receita Federal mantém a ordem de prioridade para pagamento das restituições.
Têm preferência:
- idosos;
- pessoas com deficiência;
- portadores de doenças graves;
Em seguida, ganham prioridade os contribuintes que utilizarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber a restituição via Pix.
Segundo Godoi, quem informa o CPF como chave Pix tende a receber o pagamento com mais rapidez. “Mas isso não elimina a análise da Receita. Se houver inconsistências na declaração, a restituição pode ser retida normalmente”, conclui.
Outras informações sobre o Imposto de Renda 2026 podem ser consultados no site da Receita Federal, clicando aqui.


















