As exportações das empresas de Itapetininga no primeiro semestre de 2025 ultrapassaram US$ 228,7 milhões, superando todo o volume exportado em 2024, que foi de US$ 199,1 milhões. No entanto, esse cenário positivo pode sofrer alterações nos próximos meses devido ao “tarifaço” de 50% sobre produtos brasileiros, anunciado nesta semana pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Entre os destinos das mercadorias, os Estados Unidos responderam por US$ 2.944.339 das exportações de Itapetininga, com destaque para plástico, borracha e produtos de madeira.
Além disso, os Estados Unidos lideram o fornecimento de produtos importados por Itapetininga, respondendo por 19,7% do total adquirido pela cidade no primeiro semestre de 2025. Das importações registradas no período, que somaram US$ 19,7 milhões, cerca de US$ 3,89 milhões vieram do país norte-americano. Os principais itens importados foram matérias têxteis, matérias-primas de plástico e borracha, além de equipamentos industriais.
Impacto das tarifas
A nova tarifa, que deve entrar em vigor em 1º de agosto desse ano, tem potencial para impactar diretamente o comércio exterior do município. Produtos locais podem perder competitividade no mercado norte-americano, enquanto os custos de insumos importados podem subir, pressionando a produção local.
Segundo especialistas, empresas poderão ser forçadas a buscar novos mercados e fornecedores, o que implica aumento de custos operacionais, adaptações logísticas e possível queda de preços no mercado interno, sobretudo em setores com forte dependência das exportações para os EUA, como o de plásticos e madeira.
Soja lidera exportações da cidade
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o crescimento das exportações foi impulsionado, principalmente, pela soja, que corresponde a 75% das exportações do município. O produto, que em todo o ano passado rendeu US$ 76,7 milhões em exportações, atingiu US$ 173,6 milhões de janeiro a junho deste ano, mais que o dobro do registrado em 2024.
Segundo a empresa Tagui, especializada na comercialização de cereais, dois fatores explicam o desempenho: a recuperação da produção local, após prejuízos causados pelo clima adverso em 2024, e o aumento da demanda internacional. “Tivemos um aumento de 30% na produção regional, com um clima mais favorável nesta safra, o que possibilitou maior oferta para o mercado externo”, informou a empresa de Itapetininga.
Embora os preços internacionais em dólar tenham recuado devido à maior oferta mundial, a valorização do dólar frente ao real garantiu preços internos mais elevados, beneficiando os produtores da região, aponta a Tagui.
A China foi o principal destino das exportações da cidade no primeiro semestre, responsável por US$ 175,3 milhões, o equivalente a 76% do total exportado.
Além da soja, outros produtos que se destacaram no semestre foram os painéis de madeira (US$ 11,3 milhões) e as obras de plásticos e borracha (US$ 9,1 milhões).

Importações
As importações de Itapetininga somaram US$ 19,7 milhões nos primeiros seis meses de 2025, valor 74% abaixo do total importado no ano passado, que foi de US$ 76,6 milhões.
As partes e acessórios de veículos lideraram as compras, com US$ 6,7 milhões, seguidos pelas matérias-primas de plásticos e borracha (US$ 1,3 milhão) e equipamentos industriais, como centrífugas e secadores (US$ 1,2 milhão).

Expectativa para o segundo semestre
A expectativa da Tagui é de desaceleração no ritmo de exportações no segundo semestre, o que, segundo a empresa, já é um movimento sazonal do mercado de grãos. Ainda assim, o acumulado até o final do ano deve superar os números de 2024.
Além da soja, a empresa projeta aumento no volume exportado de milho e aposta no crescimento gradual das vendas externas de sorgo, que começa a ganhar espaço no mercado internacional.
Todos os valores estão expressos em US$ FOB — sigla para Free On Board, que indica o valor da mercadoria sem os custos de frete e seguro.
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