A proximidade da Páscoa tem impulsionado a procura pelos tradicionais ovos de chocolate, apesar da alta nos preços. Com a crise do cacau, principal matéria-prima do chocolate, e a disparada histórica do seu preço no mercado internacional, toda a cadeia produtiva de doces segue sendo impactada.
A confeiteira Carolina Damião está no ramo há quatro anos, e conta que todos os seus produtos que levam chocolate sofreram um reajuste nos preços. Apesar do acréscimo no valor, ela relata que a Páscoa permanece sendo a melhor época de vendas, e que não houve queda na procura. “O consumidor se adaptou ao reajuste, por isso não tivemos quedas nas vendas”, afirma.
Preço do cacau pressiona mercado
Segundo o economista Márcio Aleixo, o aumento no preço dos ovos de Páscoa se deve a três fatores: a sazonalidade, já que até 80% das vendas se concentram nos dois meses anteriores à data, elevando os preços; o custo de matérias-primas como cacau e leite, sujeitos a oscilações internacionais; e estratégias comerciais, como redução do peso ou mudança na composição dos produtos. Em Itapetininga, quem compra entre janeiro e meados de fevereiro consegue evitar os preços mais altos da semana anterior à Páscoa.
Aleixo afirma que a alta do cacau afeta tanto produtos industrializados quanto caseiros, mas de formas diferentes. Grandes fabricantes conseguem amenizar o impacto com contratos e estoques, embora o repasse ao consumidor seja inevitável.
Já os produtores caseiros, que compram em menor escala, sentem o aumento de forma imediata, especialmente no cacau e no leite. Em Itapetininga, onde a produção artesanal cresce, esse impacto é ainda mais forte, levando muitos pequenos produtores a reajustarem os preços na mesma temporada.
Como alternativa para manter os produtos acessíveis, a confeiteira decidiu reduzir o tamanho de alguns ovos de colher. “Diminuindo um pouco o tamanho, conseguimos investir na qualidade do produto e ainda manter um preço mais acessível para o consumidor”, explica.
A expectativa de Carolina é registrar crescimento de 10% nas vendas desse ano em comparação à 2025, o equivalente a uma produção de 700 a 800 dos ovos de chocolate. Para dar conta da demanda, a produção começa pelo menos três semanas antes da data, incluindo barras de chocolate, mini ovos e cartões com doces, utilizados como presentes e degustação. Também foi necessária a contratação de freelancers.
Sabores especiais ganham espaço
A inovação nos sabores tem sido outra estratégia para atrair clientes. Entre as novidades deste ano estão recheios como Biscoff, um tipo de bolacha caramelizada com canela, e mil-folhas, inspirado em um doce bastante procurado na confeitaria.
Produção caseira como renda extra
Outra iniciativa empreendedora é a da estudante de odontologia Maria Julia Cerqueira, que começou a produzir ovos de Páscoa caseiros para ajudar a custear seu casamento. “Eu sempre fiz para a minha família nos anos anteriores, mas nesse ano, fui pedida em casamento e me deram a ideia de comercializar os ovos caseiros que já fazia para conseguir uma renda extra e auxiliar nas economias da celebração”.
Segundo ela, o resultado inicial superou suas expectativas. “Já tivemos várias encomendas e até criei um perfil nas redes sociais, para ajudar com a divulgação. Amigos e familiares compraram para ajudar, mas também muitas pessoas de fora. A maioria das encomendas está começando, com a chegada do feriado e estou tentando acelerar toda a produção”, explica.
Como a produção é feita apenas por ela, com ajuda do noivo, o número de sabores é limitado para facilitar a organização dos pedidos. Os ovos, de 500 gramas, são vendidos entre R$ 90 e R$ 100, com possibilidade de personalização conforme a preferência do cliente. “Utilizo sempre os melhores materiais e ingredientes, e pego encomendas conforme vejo que consigo dar conta”, finaliza.
Preferência do consumidor
Entre os consumidores, os ovos artesanais têm conquistado espaço. A estudante Gabriela de Almeida, de 21 anos, diz que costuma comprar ovos de chocolate todos os anos e prefere os produtos caseiros. “Eles costumam ter recheios mais caprichados e mais opções de sabores. Na minha opinião, compensam mais”, afirma.
Já Lívia Oliveira, de 34 anos, diz que alterna entre os produtos artesanais e os industrializados. Segundo ela, os ovos caseiros se destacam pela possibilidade de personalização. “Quando compro artesanal, é justamente pela variedade e pela opção de escolher desde a casca até o recheio”, explica.
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