A pesquisadora da Embrapa, Mariangela Hungria, natural de Itapetininga, foi eleita pela revista norte-americana Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo em ações climáticas na lista Time100 Climate 2025, na categoria “Defenders” (Defensoras). A edição será publicada na próxima segunda-feira, dia 10.
Com mais de 40 anos de carreira, Mariangela é uma das principais referências na área de sustentabilidade agrícola, atuando em pesquisas sobre redução da emissão de gases de efeito estufa, resistência às mudanças climáticas e uso de biológicos como alternativa aos produtos químicos.
“Fiquei muito lisonjeada de compor essa lista como Defensora do Clima, mas, principalmente, vejo como uma grande oportunidade de mostrar que o nosso trabalho é reconhecido”, afirmou a pesquisadora.
Para Mariangela, o desafio climático exige o engajamento de toda a sociedade, não apenas do poder público. “No Brasil, ainda há uma crença de que a redução da emissão de gases de efeito estufa depende exclusivamente de políticas governamentais. Mas todos nós temos um papel importante nesse processo”, ressalta.
Ela explica que seu trabalho sempre teve como foco tornar a agricultura mais produtiva e sustentável, com o uso de bioinsumos que recuperem o solo e reduzam impactos ambientais. “Esse reconhecimento é importante porque dá visibilidade ao compromisso de fazer uma agricultura que produza mais, mas com menos impacto.”

Esta é a segunda grande conquista internacional da cientista em 2024. Em maio, Mariangela tornou-se a primeira brasileira a receber o Prêmio Mundial da Alimentação, considerado o “Nobel da Agricultura”. Segundo ela, o prêmio destacou o papel do Brasil como líder em práticas sustentáveis, especialmente no uso de biológicos e no plantio direto.
Agora, a pesquisadora pretende concentrar seus esforços na recuperação de pastagens degradadas, consideradas por ela o “maior placebo ambiental do país”. Segundo Mariangela, resultados de diversos estudos têm apresentado que os biológicos podem ter um papel fundamental para recuperar a vida do solo e tornar essas pastagens muito mais produtivas.
Mariangela também defende que Itapetininga, sua cidade natal, tem potencial para se tornar um polo de inovação em bioinsumos. “A cidade sempre teve uma agricultura aberta à inovação. Eu espero que Itapetininga atraia uma grande companhia nacional de bioinsumos, capaz de atender pequenos e médios produtores e ampliar o desenvolvimento econômico local.”
Segundo ela, gostaria de dialogar com a gestão municipal para discutir a instalação de uma empresa do setor. “Vejo uma limitação nas companhias existentes, que focam apenas em soja e milho. Seria importante pensar em uma visão mais ampla, que atenda também outras culturas — e eu adoraria que esse projeto começasse em Itapetininga.”
O vínculo afetivo com o município se reflete em sua trajetória. Mariangela conta que o amor pela ciência nasceu ainda na infância, inspirado pela avó, professora de Ciências da Escola Peixoto Gomide. “Ela dizia que eu podia ser cientista e que sempre estaria do meu lado. Foi a grande mentora da minha vida.”
A pesquisadora reforça que foi em Itapetininga que aprendeu a sonhar alto. “O meu interesse pela ciência e pela produção de alimentos nasceu ali, junto com a ideia de que mulheres podem ser o que quiserem.”
Nos próximos anos, Mariangela deve continuar focada na evolução dos biológicos, com pesquisas que acompanhem a eficácia dos produtos e assegurem que a agricultura brasileira siga combinando alta produtividade e sustentabilidade.
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