No bairro do Mato Seco, em Itapetininga, o Sítio São Pedro transformou um pequeno empreendimento familiar em um negócio sustentável e rentável que abastece grandes supermercados da cidade e redes varejistas da capital paulista com bananas orgânicas certificadas. À frente da agricultura orgânica da marca Fruta Leve, está o professor de educação física, de 60 anos, João Luiz Brandão Martins Júnior, mais conhecido como Juca, que trocou a sala de aula na grande São Paulo pela vida no interior, dando continuidade à produção iniciada por seu pai, ainda na década de 1980.
Com área total de 22 hectares, o sítio tem hoje 12 hectares dedicados exclusivamente ao cultivo de banana orgânica, carro-chefe da produção. Além disso, há um hectare de abacate, também comercializado, embora não seja o foco principal do negócio, e um projeto experimental de morango orgânico, desenvolvido há cerca de oito meses em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Sindicato Rural de Itapetininga. A iniciativa reúne produtores da região para testar técnicas de cultivo mais eficientes e sustentáveis.
A produção de bananas segue um rigoroso processo, do campo à distribuição. Após a colheita, os frutos são retirados do engaço (cacho principal da bananeira) e levados a um tanque com água, onde passam por seleção. “As bananas de melhor qualidade seguem para um refrigerador, onde permanecem por cerca de dois dias antes de serem distribuídas ao mercado. O sítio trabalha com bananas dos tipos A, a mais comercializada, B e C, esta última menor e geralmente destinada às feiras livres”, explica Juca.
De acordo com o empresário, cerca de 15% a 20% da produção permanece em Itapetininga, abastecendo a maioria dos supermercados locais e alguns feirantes. O restante segue para grandes redes varejistas da cidade de São Paulo, com locais como Centrais Estaduais de Abastecimento (CEASA). “Toda a produção é orgânica e certificada, cultivada sem o uso de defensivos químicos. Até mesmo as embalagens que usamos são feitas de material oxibiodegradável, que não agride o meio ambiente e ainda facilita a identificação do produto nos supermercados, separando-o de frutas convencionais”.
Sobre o projeto teste com os morangos, Juca explica que inicialmente foram plantados diretamente no solo, mas posteriormente passaram a ser cultivados em calhas suspensas dentro de estufas. “Fizemos essa mudança tanto para reduzir problemas com pragas, quanto para diminuir o esforço físico dos produtores. Hoje todos conseguem trabalhar em pé, com mais conforto e produtividade”.
Além da produção, o Sítio São Pedro também se tornou espaço de formação. Em parceria com o Senar e o Sindicato Rural, o local recebe cursos e workshops voltados a produtores interessados em práticas sustentáveis e inovação no campo.
Para o futuro, Martins planeja ampliar a atuação do sítio com a fabricação de sorvetes e doces feitos a partir de frutas orgânicas. Atualmente, já comercializam banana-maçã desidratada, como doce.
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