O Jornal Correio resgata momentos marcantes de Itapetininga, revisitando reportagens e fatos que fizeram história há 20 anos. Nesta semana, republicamos a matéria de 2006: “Devastação da mata ciliar do rio Itapetininga pode ultrapassar 50km”.
Bianca Proença
Os resultados de um estudo sobre o rio Itapetininga, divulgados esta semana pelo Programa Rio Vivo, são preocupantes. Em 180 km percorridos, foram detectados 50 km de devastação da mata ciliar, mais de 25% da sua extensão total, de 215 km, esse número chega à 23%. Com isso, os riscos de assoreamento aumentam. Em um ponto mais crítico, a profundidade do leito pode chegar a apenas dez centímetros.
A expedição foi realizada entre 2001 e 2003 pela equipe do ambientalista Fernando Rosa Junior. Nos trabalhos foram devastados 24 km de devastação mata ciliar na margem direita e 25 km na margem esquerda. “Isso numa análise superficial, pois, em muitos pontos a mata ciliar ainda presente pode ser apenas de poucos metros”, avalia.
Pelo código florestal, o rio Itapetininga, com largura média de 15 m, deve ter mata ciliar entorno de 30m e 50m em largura. A falta dessa vegetação já causa problemas. Foram encontrados sete pontos críticos de assoreamento, como no distrito do Rechã onde a profundidade é de apenas 10 centímetros. “A profundidade do rio é de quatro metros, chegando até sete metro em alguns poços”, expõe Rosa.
O assoreamento é grande problema que passa o rio Itapetininga, considera o presidente da Apri — Associação dos Protetores do Rio Itapetininga, Benedito Vieira Nunes. “A areia das margens cai sobre o leito e causa obstrução e redução da correnteza”, aponta.
Com o processo de assoreamento, alguns trechos não passam de 15 cm. “Há 15 anos a profundidade era muito maior. Já assoreou muito o rio”, lamenta. Quarenta anos atrás havia mais de 35 espécies de peixes, entre curimbatá, lambari, traíra e pintado. Dessas, apenas dez são encontradas atualmente. Nas margens vivem cerca de 200 espécies de aves. Entre os animais existentes estão: capivara, anta, ariranha, bugios, macaco-prego, sagui, suçuaranas e até lobo-guará e tamanduá, ambos em fase de extinção.
Oitenta e cinco por cento do rio está dentro do território de Itapetininga ou divisas. São mais de mil ranchos nessa extensão, muitos deles irregulares. A retirada da mata ciliar por proprietários de terra é o principal problema a ser revertido pelas autoridades. “A mata ciliar impede o deslizamento de terra e consequente assoreamento e diminui a dispersão de agrotóxico”, explica Nunes.
Em todo o Estado há apenas 8% de mata nativa. Em Itapetininga, apenas 1,7% da área do município, cerca de 30 km² de 1.792 km², apresenta essa vegetação, informa Rosa. “O rio está recebendo uma carga de agrotóxico aplicado nas lavouras”, disse.
Um decreto do Estado determina que proprietários rurais reservem 20% das áreas para preservação ambiental, sendo a mesma porcentagem para áreas na beira dos rios ou encostas de morros, num período de trinta anos para adaptada. Além disso, a lei 12.183, de 29 de dezembro de 2005, dispõe sobre a cobrança pela utilização dos recursos hídricos do domínio do Estado de São Paulo. Este ano, indústrias e empresas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, já pagam pelo uso da água do Paraíba do Sul.
Em 2007, empresas, indústrias e companhias de saneamento da região do Vale do Paraíba, que usam água dos rios paulistas, terão que pagar por ela. Agricultores começam a pagar daqui quatro anos, informa o Comitê das Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul. O dinheiro será revertido para a recuperação dos rios.
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