O Jornal Correio resgata momentos marcantes de Itapetininga, revisitando reportagens e fatos que fizeram história há 20 anos. Nesta semana, republicamos a matéria de 2005: “Após 111 anos, o curso normal da ‘Peixoto Gomide’ é extinto”, que registrava o fim do importante curso normal em Itapetininga, a primeira cidade do interior de São Paulo a ter esse ensino.
Alberto Isaac
Com a formatura já programada para o próximo dia cinco de janeiro, depois de mais de um século, a tradicional Escola Normal “Peixoto Gomide”, conceituada e respeitada em quase todos os cantos do País, já iniciou o processo de extinção do curso de magistério.
Foi uma decisão peremptória da política educacional do governo paulista e, já no ano vindouro, não serão aceitas matrículas para a primeira série. Esta última turma já se formou no corrente ano, extinguindo de vez o curso que notabilizou a escola.
A “Peixoto Gomide”, uma das primeiras escolas normais a funcionar em São Paulo, foi instalada no governo de Bernardino de Campos, por influência do coronel Fernando Prestes de Albuquerque, político de prestígio na época e que residia na cidade, em prédio onde se situa atualmente a sede do DER – Departamento de Estradas e Rodagem.
De acordo com o professor Belizandro Barbosa Rezende, hoje aposentado e que por quase três décadas dirigiu o estabelecimento, a “Peixoto” foi uma referência cultural de bom ensino em escolas normais, festejada em “todo o canto do Brasil”. Várias personalidades, como o compositor Heitor Villa Lobos, os presidentes Getúlio Vargas e Jânio Quadros, além dos governadores Adhemar de Barro, Carvalho Pinto, Lucas Nogueira Garcez e Prestes Mais (prefeito de São Paulo), visitaram a escola, “exaltando a alta qualidade pedagógica e estrutural da instituição”.
O estabelecimento ainda mantém uma galeria com nomes de alunos e professores que tiveram destaque em suas carreiras. O professor aposentado Augusto Peiretti, assim como Donato Macedo, dizem enfaticamente terem orgulho de figurar nessa galeria.
A “Peixoto” também tem sido alvo de pesquisas, estudos e teses de vários intelectuais brasileiros, inclusive da catedrática itapetiningana Beth Brait.
O professor e radialista, ex-diretor da FKB, Francisco Alves Vei, lembra que o uniforme tradicional da aluna, azul e branco, foi um marco na cidade. “Eram moças que só podiam casar depois de formadas”, recorda. Ele lembra também que Nelson Gonçalves, grande cantor brasileiro, falecido na década de noventa, imortalizou em memorável samba as “características das estudantes normalistas que vestiam o azul e branco”.
Com a entrada em vigor da Lei de Diretrizes e Bases da Educação no início dos anos setenta, o ensino tornou-se mais flexível e as escolas para a formação de professores proliferaram, “perdendo um pouco a qualidade”. Nos últimos trinta anos também houve um processo de sucateamento do ensino público, com o Estado arrochando salários dos servidores da educação, abandono dos prédios, além de métodos de aprovação questionáveis.
A propósito, o professor aposentado Newton Albuquerque, que exerceu o cargo de Delegado de Ensino (antiga denominação), afirmou um pouco entristecido, que “como professor formado pela nossa respeitável escola, vejo com melancolia este final de curso normal, fato que ocorre na penumbra do esquecimento do que foi, para Itapetininga e o cognome “Terra das Escolas”, o Curso Normal da “Peixoto Gomide”.
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