O Jornal Correio resgata momentos marcantes de Itapetininga, revisitando reportagens e fatos que fizeram história há 20 anos. Nesta semana, republicamos a matéria de 2006: “Itapetininga poderá integrar programa de resgate de trens de passageiros”.
Esta semana, o município de Itapetininga confirmou o interesse em participar do Programa de Resgate do Transporte Ferroviário de Passageiros, do Governo Federal. São previstos investimentos de R$ 1,7 bilhões na recuperação de trechos ferroviários., instalações e fabricação de novos trens. Até final de dezembro devem ser escolhidos os municípios participantes.
Foram pré-selecionados 28 trechos em vários Estados, entre eles, São Paulo – Itapetininga. Deve ser escolhido um mínimo de 13 trechos até o final do ano. De acordo com o diretor de relações institucionais do Ministério dos Transportes, Afonso Carneiro Filho, pelo cronograma, no primeiro semestre de 2007 será realizado um estudo de viabilidade econômica, financeira e social. “Será uma análise do estado das linhas e quantidades de trens”, disse. No semestre seguinte será iniciado o processo licitatório para concessão do transporte. No início de 2008 começa a fabricação de trens e melhorias das linhas e estações. Até final do ano os trechos devem entrar em operação.
O programa, lançado em 2003, tem como objetivo a integração e adequação das ferrovias, ampliação da capacidade dos corredores de transportes, expansão e modernização da malha ferroviária e resgate do transporte ferroviário de passageiros. No investimento anunciado foram consideradas a reativação de 14 sistemas de frota de 104 unidades. Os trens empregados no programa são equipamentos modernos, ainda não fabricados no país, bem diferentes das antigas marias-fumaças. As máquinas têm motor a diesel, potência entre 300 e 420 hp e velocidade de 90 a 120 km/h. Cada unidade simples terá capacidade para 129 até 174 passageiros.
Em meados de setembro, um questionário foi enviado às prefeituras e câmaras dos municípios relacionados, para uma avaliação técnica das cidades. Na sexta-feira, 10, uma audiência pública foi realizada em Sorocaba para expor detalhes do projeto. Nesse dia, Carneiro Filho cobrou o envio das respostas pela Prefeitura de Itapetininga, sob risco de ficar de fora do projeto. O prazo já havia sido prorrogado até sexta-feira, 17, e até o momento, o Executivo não tinha manifestado interesse no programa. Foi cogitado até mesmo reduzir o trajeto até Sorocaba. O Correio de Itapetininga entrou em contato com o Departamento de Relações Institucionais, sendo informado que na segunda-feira seguinte, 13, o questionário foi recebido “ainda dentro do prazo”, disse Carneiro Filho.
Locais
Além do trecho local, de Itapetininga – São Paulo, foram relacionados: Codó – Teresina, entre Maranhão e Piauí; Fortaleza – Sobral, no Ceará; Cabedelo – Campina Grande, em Paraíba; Recife – Caruaru, no Pernambuco; São Cristóvão – Maceió – Laranjeiras, em Sergipe; Conceição da Feira – Salvador – Alagoinhas, na Bahia; Cachoeiro do Itapemirim – Vitória, no Espírito Santo; Campos – Macaé, Santa Cruz – Mangaratiba, Barra do Piraí – Itatiaia e Niterói – Itaboraí, no Rio de Janeiro; Betim – Sete Lagoas, Belo Horizonte; Ouro Preto, Bocaiúva – Montes Claros – Janaúba, em Minas Gerais; Varginha – Cruzeiro e Campinas – Poços de Caldas, entre Minas Gerais e São Paulo; Campinas – Araraquara, Santos – Jacupiranga, em São Paulo; Campo Grande – Miranda, no Mato Grosso do Sul; Luziânia – Brasília, entre Goiás e o Distrito Federal; Londrina – Maringá, no Paraná; Itajaí – Blumenau – Rio do Sul e Joinville – Mafra, em Santa Catarina; Bento Gonçalves – Caxias do Sul, Cachoeira do Sul – Santa Maria e Pelotas – Rio Grande, no Rio Grande do Sul.
Expectativa
Para o diretor do Museu Ferroviário de Itapetininga, Carlos Eduardo dos Santos, a expectativa para a escolha da cidade é grande. Com isso, o turismo deverá ser alavancado. “E o transporte de passageiros não irá interferir no transporte de cargas já realizado”, expôs. Segundo ele, o trajeto terá aproximadamente a mesma duração da viagem de ônibus, “descontando o tempo de parada nas estações. Durante a semana será feito transporte de passageiros e no final de semana, para turismo”, comentou.
Desativação
Há 150 anos, o Brasil inaugurava a sua primeira ferrovia. No entanto, um século e meio de história não foi o suficiente para colocar o país nos trilhos. A desativação das ferrovias brasileiras ocorreu gradativamente a partir dos anos de 1950 em função dos investimentos na área rodoviária pelo governo, feito maciçamente. Com isso, o setor ferroviário foi deixado de lado. Em menos de dez anos passou-se de um monopólio ferroviário para um rodoviário.
Apontado como um dos meios de transporte mais baratos do mundo, o sistema ferroviário sofre pela falta de investimentos e aguarda um redimensionamento que o coloque à altura da dimensão geográfica do país.

















