O Jornal Correio resgata momentos marcantes de Itapetininga, revisitando reportagens e fatos que fizeram história há 20 anos. Nesta semana, republicamos a matéria de 2006: “Bombeiros voluntários protestam contra vinda de unidade militar”, destacando a reação do grupo perante a uma mudança significativa na segurança da cidade.
Orestes Carossi Filho
O prefeito Roberto Ramalho (PMDB) informou na sexta-feira, às 20h, que irá implantar uma unidade do bombeiro militar na cidade. O anúncio foi feito após uma reunião com os integrantes do Corpo de Bombeiros Voluntários de Itapetininga (CBVI). A reunião começou às 18h. Somente cinegrafistas e fotógrafos puderam entrar na sala de reunião para captar imagens. Duas horas depois, a reunião terminou. Um integrante da CBVI disse que a reunião serviu para que o prefeito informar que está disposto a implantar a unidade militar.
Ele disse que é uma decisão estratégica da Secretaria de Segurança Pública de implantar uma corporação nas cidades polos. O prefeito reclamou que há pessoas que estão fazendo uma campanha difamatória contra a prefeitura. Em hipótese alguma, a Prefeitura pretende acabar com o Bombeiro Voluntário. “É uma mentira deslavada”, atacou o chefe do Executivo.
Ramalho explicou que as cidades vizinhas devem ser beneficiadas com a unidade militar. “Achamos que é possível convivência das duas instituições. Achamos que é possível o voluntário continuar trabalhando. Porque aquele que tem espírito voluntário vai continuar trabalhando, com este espírito de solidariedade”, disse o prefeito. Ele reclamou que há uma atitude discriminatória contra os bombeiros militares. “Eu não entendo”. Ele garantiu que irá repassar recursos para entidade voluntária. Uma nova reunião será feita na terça-feira com os bombeiros militares.
Protesto
O Corpo de Bombeiros Voluntários de Itapetininga (CBVI) realizou dois protestos contra a vinda dos Bombeiros Militares para a cidade. Na quinta-feira, às 18h, os bombeiros voluntários realizaram uma carreata no centro da cidade até o Paço Municipal. Na sexta-feira, às 10h, uma nova manifestação foi feita contra a implantação da unidade do bombeiro militar. Bombeiros mirins, voluntários e praticamente todos os veículos da entidade percorreram as ruas da cidade. Cerca de 200 pessoas participaram do ato.
Segundo o presidente da CBVI, Márcio Lopes Arruda, por três vezes a direção da corporação tentou uma reunião com o prefeito Roberto Ramalho (PMDB), mas não foi recebida “Nós não fomos consultados (sobre a vinda de Bombeiros Militares), assim que ficamos sabendo do boato, tentamos saber qual é a intenção do prefeito. Nós só queremos saber o porquê e, até agora, nós não temos esta resposta”.
De acordo com o presidente, a CBVI tem um trabalho aprovado pela população nestes 27 anos de atividades. “O senhor prefeito não se manifesta”, reclama o diretor. Conforme números de Arruda, mais de 90% dos usuários aprovam o serviço prestado pela CBVI.
Ameaça
Caso se confirme o convênio para a vinda do Bombeiro Militar, Arruda disse que irá fechar as portas do bombeiro voluntário. O tom de ameaça foi reiterado diversas vezes pelo diretor da CBVI. Ele avalia que a cidade não comporta duas entidades neste setor.
“Não é uma intransigência nossa. O Bombeiro Militar tem uma legislação própria. O Bombeiro Voluntário tem um regimento próprio. Não é compatível. A questão é puramente legal”, conclui Arruda. Diante da ameaça, os adolescentes que fazem parte do grupo de Bombeiro Mirim choravam, no protesto, em frente do Paço Municipal. Os adolescentes cantaram o hino do bombeiro e o hino nacional.
Ícone
O procurador José Alves quer formalizar um convênio com o bombeiro voluntário. O último convênio entre a Prefeitura e a CBVI foi em 1999. “Neste convênio será definido como será o funcionamento da CBVI”. Atualmente, a Prefeitura de Itapetininga repassa R$ 720 mil por ano para a CBVI. Alves esclarece que não pretende acabar com a entidade. “É um ícone”.
Ele avalia que o Bombeiro Militar pode conviver com o voluntário. Para o procurador, o Bombeiro Voluntário “não pode ser assassinado”. Sobre o telefone 193, utilizado para chamar socorro, a administração municipal disse que é possível dispor de outro número para que as duas entidades funcionem na cidade.















