A música Nuit – noite em francês – do compositor baiano Raul Seixas, entre as diversas críticas na letra enaltece os amantes de hábitos noturnos. “Eu, eu ando de passos leves para não acordar o dia. Sou da noite, a companheira mais fiel que ela queria”. Neste contexto, diferentes pessoas, ao contrário do habitual horário comercial, preferem a luz da lua e das estrelas para produzir suas atividades profissionais.
Anteriormente, no gosto principalmente de músicos e poetas, trabalhar a noite se amplia com serviços 24 horas e se torna hábito de diversos outros profissionais. Alguns se defendem com o argumento que melhoraram o desempenho após o pôr de sol e na extensão da madrugada. Esse o caso do analista de sistema Eduardo Proença. Profissional liberal que desde a adolescência se sente mais produtivo no período noturno.
Mas a escolha pela noite não tem nada haver com insônia. “É por opção. Desde jovem eu tenho melhor rendimento no período noturno. Era assim para estudar e hoje para trabalhar”, destaca o analista de sistema. Atualmente, o profissional de informática realiza parte de seu trabalho home-office termo aportuguesado para escritório em casa, para atender clientes que já se habituaram ao seu estilo “coruja”.
“Como analista de sistema, algumas das empresas que presto serviço permitem o acesso remoto aos computadores e de casa, após as crianças dormirem e a noite silenciar começo a verificar os bancos de dados, escrever relatórios ou programar”, relata. Ele conta que seu horário predileto é após as 23 h. Enfatiza que seu corpo se contenta com cinco horas diárias de sono, mas ainda consegue dar conta de outras obrigações pessoais e profissionais ao longo do horário comercial.
No caso da professora de música Inty Oliveira Almeida, a noite é fonte de inspiração. “Acho que, em relação aos horários, os músicos são loucos. Particularmente, quando estou compenetrada no trabalho uso o período noturno para compor ou estuda e costumo ir dormir às 4 horas da madrugada”, revela.
O ex-funcionário público Adriano Neiva conta que devido à profissão trabalhava no período noturno. “Com a alteração do relógio biológico, sua rotina começa a ficar alterada. Muitos colegas têm diversos problemas psicológicos com essa troca do dia pela noite”, afirma. Profissional da área de segurança pública, ele acrescenta: “Eu sou noturno desde a infância e acho que a preferência envolve o contexto do meu organismo.”
Questão de saúde
Pesquisadores divergem sobre os riscos de dormir de madrugada. De acordo com os especialistas, essa inversão pode ser prejudicial à saúde, caso não se tenha pelo menos 8 horas de sono diariamente. Outras teses defendem que as pessoas mais criativas coincidentemente costumam produzir mais ou trabalhar melhor no período da noite e madrugada. Esses dados científicos também concluíram que as horas mínimas de sono com qualidade são indispensáveis para manter a saúde física e mental.
Especialistas do sono relatam que as consequências para o organismo humano de quem troca o dia pela noite, mas não repõem o sono são diversas. Entre elas, a fadiga, a sonolência durante o dia, o déficit de atenção, de memória e raciocínio, além de predisposição a problemas cardiovasculares e metabólicos.















