As ocupações que mais contrataram trabalhadores com carteira assinada em Itapetininga ao longo de 2025 pagaram, em média, cerca de R$ 1,7 mil por mês, valor que representa apenas R$ 251 a mais que o salário mínimo vigente no ano (R$ 1.518), o equivalente a 16,5% acima do piso nacional. O levantamento realizado pelo Correio tem como base dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho, e mostra que o emprego formal no município segue concentrado em vagas de baixa remuneração e alta rotatividade.
As cinco profissões que mais empregaram na cidade somaram mais de 6,2 mil admissões no ano. Apesar do volume, o saldo líquido dessas funções foi pequeno, já que boa parte das contratações foi anulada por demissões no mesmo período.
O ranking das ocupações que mais contrataram é liderado por alimentador de linha de produção (1.620 admissões, salário médio de R$ 1.839), seguido por vendedor do comércio varejista (1.547, R$ 1.829), trabalhador de extração florestal (1.112, R$ 1.758), trabalhador agropecuário em geral (980, R$ 1.859) e auxiliar de escritório (971, R$ 1.564).
Segundo o economista Márcio Aleixo, o perfil dessas ocupações reflete a estrutura produtiva local. Ele explica que Itapetininga é fortemente sustentada pelo setor de serviços, que representa mais da metade do PIB do município, enquanto a indústria e o agronegócio vêm ampliando suas operações, o que aumenta a demanda por mão de obra em funções operacionais. Na prática, isso significa que o crescimento do emprego ocorre, sobretudo, em postos pouco qualificados, de execução repetitiva e com baixos salários.
Mesmo entre essas profissões, o número de desligamentos foi elevado. O cargo de alimentador de linha de produção teve 1.579 demissões, fechando o ano com saldo de apenas 41 vagas. Já o vendedor do comércio varejista encerrou o período com saldo de 81, após 1.466 desligamentos.
Poucas vagas líquidas
Entre as ocupações com os maiores saldos positivos, os números também foram modestos. O maior saldo do ano foi registrado por auxiliar de escritório (272 vagas), seguido por ajudante de confecção (239), auxiliar de desenvolvimento infantil (140), trabalhador agropecuário em geral (124) e servente de obras (121).
Os salários dessas funções permaneceram entre R$ 1.564 e R$ 1.859.
Onde mais se perdeu emprego
De um lado, estão as profissões que mais demitiram ao longo do ano, mas que ainda assim terminaram 2025 com saldo positivo, porque também concentraram um grande volume de contratações. É o caso do alimentador de linha de produção, que liderou o ranking de desligamentos, com 1.579 demissões, mas fechou o ano com mais admissões do que cortes.
O mesmo ocorreu com o vendedor do comércio varejista (1.466 demissões), o trabalhador de extração florestal (1.013), o trabalhador agropecuário em geral (856) e o faxineiro (738). Nessas ocupações, o alto número de desligamentos foi compensado por novas contratações.
Para Aleixo, essa alta rotatividade está ligada ao perfil dessas funções, que exigem pouca qualificação formal e têm baixa barreira de entrada. “São profissões que não há necessidade de um ensino técnico profissionalizante, nem de ensino superior.”
No sentido oposto, aparecem as profissões que registraram os maiores saldos negativos, ou seja, aquelas em que as demissões superaram as admissões e resultaram em perda real de postos de trabalho.
O pior desempenho foi do trabalhador da exploração de resinas, que praticamente não teve contratações e encerrou o ano com saldo de –94 vagas. Também tiveram resultado negativo costureiro em máquina de confecção em série (–88), assistente administrativo (–72), inspetor de qualidade (–62) e o operador de caixa (–53).
O especialista acrescenta que fatores como liderança ruim, ambiente de trabalho desfavorável e baixos salários aumentam ainda mais a troca constante de trabalhadores. “Se aparece uma oportunidade em que o ganho e um pouco maior, sem dúvida o trabalhador vai para essa oportunidade”.
Resultado geral em 2025
Itapetininga fechou 2025 com saldo positivo de 606 empregos formais. No total do ano, foram 24.871 admissões e 24.265 desligamentos. Apesar do resultado positivo, o saldo ficou 41,8% menor do que em 2024, quando a cidade criou 1.042 vagas.
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