A discussão sobre a permanência do nome do político Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, mais conhecido apenas como Peixoto Gomide, em espaços públicos voltou a ganhar repercussão após a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de São Paulo, do projeto que propõe a mudança do nome da Rua Peixoto Gomide, na capital paulista. Em Itapetininga, a Escola Estadual Peixoto Gomide também passou a ser mencionada por pesquisadores e moradores nas redes sociais, bem como a avenida que abriga seu nome.
A proposta da Câmara de São Paulo prevê que a via paulistana passe a homenagear Sophia Gomide, filha do político, assassinada por ele em 1906. O projeto, aprovado em São Paulo, ainda precisa passar por votação em plenário, mas já provoca reflexos fora da capital, inclusive em municípios onde o nome do político permanece em ruas, prédios públicos e escolas.
A atual Escola Estadual Peixoto Gomide teve origem na antiga Escola Normal de Itapetininga, criada em 1894, durante a expansão do ensino público no início da República. O nome do senador foi incorporado posteriormente, no início do século XX, como homenagem ao apoio político dado à instalação da escola no município.
O prédio histórico faz parte do conjunto conhecido como “Três Escolas”, construído no final do século XIX e tombado como patrimônio histórico do Estado.
A homenagem segue o padrão comum da Primeira República, quando políticos ligados à educação e à administração estadual tiveram seus nomes atribuídos a prédios públicos e vias urbanas.
O crime
Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior foi senador paulista no início do século XX e teve o nome eternizado em ruas e instituições públicas. Sua trajetória, porém, ficou marcada por um crime que chocou o país.
Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, ele iniciou a carreira como promotor público na cidade de Amparo, onde também participou da fundação de um jornal republicano. Posteriormente transferiu-se para a capital, dedicando-se à advocacia, ao jornalismo e à política. Durante a Primeira República tornou-se senador estadual e chegou a presidir o Senado paulista, posição equivalente ao atual vice-governador do Estado.
Em janeiro de 1906, ele matou a própria filha, Sophia e logo após o assassinato, o senador suicidou-se. Registros indicam que o crime teria ocorrido na residência da família.
Jornais da época relataram versões diferentes para o motivo do crime. Uma delas dizia que o político teria se oposto ao casamento da filha por preconceito contra o noivo. Outra versão, mencionada em pesquisas posteriores, afirma que Sophia pretendia se casar com um jovem que seria filho ilegítimo do próprio senador, hipótese que nunca foi comprovada oficialmente, mas que circulou em relatos e crônicas históricas.
O homem em questão era o promotor público, poeta e escritor, Manuel Baptista Cepelos, que frequentava os círculos intelectuais paulistas. Cepelos era considerado um jovem promissor na carreira jurídica e literária, tendo atuado até mesmo na comarca de Itapetininga e região.
Na época, a imprensa tratou o episódio como um surto ou “alucinação”, interpretação comum no início do século XX, quando crimes cometidos por figuras públicas frequentemente eram explicados como distúrbios mentais.
No portal GGN, uma crônica detalha o ocorrido, no texto “Preconceito levou senador de SP a assassinar a própria filha”. https://jornalggn.com.br/historia/preconceito-levou-senador-de-sp-a-assassinar-a-propria-filha/#
Apesar da gravidade do caso, anos depois o nome de Peixoto Gomide foi dado a ruas e instituições públicas em São Paulo, sem menção à vítima. Hoje, mais de um século depois, alguns historiadores e parlamentares defendem que a revisão dessas homenagens é parte de um processo de reparação histórica.
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