Pacientes atendidos pela rede pública de saúde de Itapetininga relatam dificuldades para conseguir atendimento odontológico nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município. Segundo os relatos, o tempo de espera para consultas e procedimentos se estende por meses, enquanto casos considerados mais urgentes enfrentam limitações devido à falta de profissionais disponíveis nas unidades.
A aposentada Heloísa Carrascal, de 80 anos, afirma aguardar há cerca de sete meses por uma consulta de retorno na UBS da Vila Rio Branco. Segundo ela, o atendimento seria para avaliação de uma obturação realizada anteriormente e uma limpeza dentária, que normalmente deve ser realizada a cada seis meses, mas até o momento não recebeu agendamento ou informações sobre a continuidade do tratamento.
A dona de casa Lilian Regina, moradora da Vila Mazzei, passa por uma situação parecida. Ela conta que aguardou aproximadamente dez meses para realizar uma obturação e, diante da demora, precisou recorrer ao atendimento particular. “Quando procuramos a UBS, informam que não há dentista disponível no momento e que o profissional responsável está de atestado. Meu dente começou a doer e o problema estava piorando, então precisei pagar pelo tratamento, que não é barato”, relata.
Profissionais da área também apontam dificuldades na manutenção dos serviços odontológicos na rede municipal. Uma técnica em saúde bucal da Prefeitura de Itapetininga, que pediu para não ser identificada, afirma que a redução do quadro de profissionais tem impactado diretamente a capacidade de atendimento das unidades. “Infelizmente, os serviços odontológicos vêm sofrendo uma crescente desvalorização e atualmente enfrentam sérias dificuldades para se manter. Trabalho em uma UBS e agora temos apenas um cirurgião-dentista, devido à aposentadoria de outro profissional que nos auxiliava. Além disso, precisamos redobrar os serviços para atender a grande demanda da população do bairro, além das urgências em bairros vizinhos, que também acabam passando por aqui”, declarou.
Durante a 22ª Sessão Ordinária, realizada em 25 de maio, a vereadora Júlia Nery comentou sobre a falta de profissionais em algumas regiões do município. Segundo a parlamentar, em localidades rurais, como os distritos do Tupy e Rechã, um mesmo cirurgião-dentista precisa dividir sua atuação entre as duas unidades de saúde.
O último concurso público destinado à contratação de profissionais da área odontológica foi lançado em 2023. No entanto, as inscrições para os cargos relacionados à odontologia e saúde bucal foram suspensas por determinação judicial, em razão de uma ação que questionava o baixo piso salarial previsto no edital, em relação à remuneração estabelecida pela legislação federal para a categoria.
Desde então, não houve a abertura de um novo concurso para as funções. Em nota ao Correio, a Prefeitura de Itapetininga informou que cerca de 35 mil atendimentos foram realizados no ano de 2025. “A Prefeitura de Itapetininga, por meio da Secretaria de Saúde, informa que em 2025, foram realizados aproximadamente 36 mil atendimentos pela rede pública municipal odontológica a pacientes de todas as faixas etárias e que realiza o atendimento odontológico público municipal em conformidade com os princípios constitucionais da eficiência, universalidade e integralidade do Sistema Único de Saúde – SUS”.
Questionado sobre o quadro atual de profissionais atuando nas UBSs do município, bem como sobre eventuais medidas para suprir a demanda por atendimento odontológico, o órgão não se pronunciou até a última atualização dessa reportagem.
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