A espera por cirurgias eletivas, consultas com especialistas ou procedimentos médicos realizados pelo Ambulatório Médico de Especialidades (AME) tem se estendido por anos em Itapetininga. A reportagem do Jornal Correio ouviu pacientes que, em meio à demora no atendimento, relatam dores físicas, incerteza e falta de respostas sobre o andamento dos seus casos. Em algumas situações, a fila dura até seis anos.
Paulo Proença, de 42 anos, vive a angústia da espera. Com uma lesão e outros dois ligamentos rompidos no joelho, ele afirma que o quadro se agravou por conta da demora. “Já são seis anos que estou esperando. A lesão começou a afetar minha coluna e meu ombro. Sofro com dor todos os dias”, relata.
Trabalhador da construção civil, Paulo ressalta que a falta de estabilidade no joelho já o fez cair e que, em consultas no pronto-socorro, foi informado de que sua coluna está torta em razão do problema no joelho. “Sempre dizem que estou na fila, que tem outras prioridades. Não sei mais o que fazer. Já desisti”.
“Liguei há dois meses, e a resposta foi a de sempre: ‘não temos previsão’”, diz a dona de casa Rosangela Costa, de 55 anos. Encaminhada para cirurgia de bexiga, aguarda há cinco anos. “Ninguém explica nada. E isso afeta muito o meu dia a dia, por conta da incontinência urinária. Não posso tomar nenhum medicamento, porque não há o que ajude no meu caso. Só a cirurgia resolveria.”
Outro caso é o de Ricarda Corrêa, que tenta há quatro anos realizar cirurgia para endometriose. “Ano passado, disseram que tinham perdido minha guia. Agora, nem sei mais se estou ou não na fila”, afirma.
Yasmin Melo também espera há quatro anos por uma cirurgia, para retirada de queloide. Ela chegou a passar por consultas, mas, segundo relata, um documento entregue recentemente à família informava que nenhum atendimento anterior constava no sistema. “Disseram que meu papel estava esquecido. Pediram pra eu voltar no posto e refazer tudo. Foi como se tivesse que recomeçar”, conta.
Aline da Silva, de 33 anos, aguarda cirurgia de vesícula desde 2020 e nunca mais foi chamada. “Na última vez que fui ao posto, a médica disse que tentaria ver meu caso, mas até agora nada. Hoje, graças a um tratamento feito com médico particular, estou sem crises. Mas sigo na fila, sem saber em que ponto está meu processo.” Silva também relata dificuldade para agendar consultas básicas. “Demora cerca de três meses para marcar com um clínico.”
Na área ortopédica, casos semelhantes se repetem. Eliana Toledo acompanha o caso da mãe, que está há três anos esperando por uma cirurgia no quadril. “Ela vive com dor absurda, nenhum remédio adianta mais. Está com o quadril quebrado e sem resposta. Perdeu as esperanças”, lamenta.
AME não informa número de pacientes na fila
Em abril deste ano, a Câmara Municipal de Itapetininga enviou uma Moção de Apelo ao Governo do Estado, à Secretaria de Estado da Saúde e à DRS de Sorocaba solicitando informações sobre o número de pacientes de Itapetininga que aguardam a realização de cirurgias eletivas, discriminando as especialidades, e o tempo médio de espera para a realização dos procedimentos do AME da cidade, entre outros dados.
Em resposta, a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), gestora do AME, encaminhou uma planilha de acompanhamento. No entanto, o documento está ilegível. O Jornal Correio solicitou à Famesp o reenvio da planilha em formato legível, mas o material não foi encaminhado.
Até o fechamento desta edição, nem a Famesp nem a Secretaria de Estado da Saúde haviam informado o número total de pacientes na fila de espera, nem o tempo médio previsto para a realização dos procedimentos.
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