Janeiro Branco é uma campanha social que convida a sociedade a colocar a saúde mental no centro das prioridades. Sendo um mês simbólico de transição, de fechamento e ao mesmo tempo de abertura de ciclos, janeiro foi escolhido para representar essa necessidade de olhar mais para o mental, que precisa estar em constante cuidado; juntamente com a cor branca, que representa uma folha que pode ser utilizada para traçar novos inúmeros caminhos.
O psicólogo Gúpi Munhoz alerta para as próprias pressões de início de ano, sendo necessário abandonar a ideia de “versão ideal de si mesmo”. De acordo com o especialista, saúde mental não se constrói com metas rígidas, nem com listas de tudo que deve ser feito ou sentido. “Ela começa quando você busca entender seus limites. Cuidar da mente não é virar alguém melhor. É parar de se violentar tentando caber em expectativas irreais”, declara.
Munhoz explica que a campanha quebra o silêncio colocando o tema na mesa e ajuda as pessoas a nomearem o que sentem, e especialmente, as faz perceber que não são as únicas com problemas de saúde mental. “Em uma cultura que normaliza o adoecimento pelo excesso, falar de saúde mental já é, por si só, um movimento importante”, acrescenta.
De acordo com o psicólogo, a ajuda especializada passa a ser necessária quando o sofrimento deixa de ser pontual e começa a afetar a sua vida como um todo, ao ponto do simples ato de existir, passar a exigir esforço demais. Gúpi destaca momentos recorrentes de alerta ou dispersão frequentes; sendo recomendado nesses casos a procura por um psiquiatra ou psicólogo.
Atualmente há atendimentos em clínicas, serviços públicos, universidades e até mesmo online. No entanto, ele salienta que cuidados para além do tratamento especializado também são importantes, especialmente a sustentação de vínculos saudáveis e cuidado com a rotina, momentos de pausa, sonos, corpo e alimentação. “Também reduzir excessos de informação e de comparação de cobrança”.
Segundo Munhoz, houve um avanço no conhecimento dos problemas relacionados à saúde mental nos últimos anos, no acesso à informação sobre eles, porém ele lamenta que a empatia não tem acompanhado. “Muitas vezes o tema é aceito enquanto não incomoda. Mas quando o sofrimento do outro exige tempo, paciência ou limite, a compreensão diminui. Ainda assim, estamos num ponto melhor do que há alguns anos. Falar do assunto é um começo, mas sustentar o cuidado é um desafio”, finaliza.
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