O 39º Encontro Internacional de Audiologia, principal evento na área de audiologia no Brasil, teve a participação da fonoudióloga itapetiningana Maura Regina Laureano Rocha, Especialista em Audiologia pelo Conselho Federal de Audiologia. Maura, que também é Mestre em Psicologia pela USP, Doutora em Ciências pela UNIFESP e educadora do Programa Dangerous Decibels Brasil, foi palestrante pelo segundo ano consecutivo. O evento aconteceu em São Paulo, dos dias 09 a 11 de maio.
Este ano, com a Palestra: A influência dos aparelhos auditivos na cognição, Maura falou sobre a influência dispositivos nas funções cognitivas. Na apresentação, ela explica quais são as hipóteses que estão por trás da relação entre perda auditiva e demência. Maura trabalha com inúmeras evidências que mostram essa relação.
A comissão da revista científica The Lancet sobre a prevenção, os riscos e os cuidados da demência, mostra que a perda auditiva é o principal fator de risco modificável para a demência. Ou seja, tratando a perda auditiva pode-se prevenir o risco da demência em 8%.
Maura destaca que, embora os estudos ainda sejam insuficientes, existe um crescente corpo de evidências mostrando uma associação entre perda auditiva e declínio cognitivo, acelerando o diagnóstico da demência. Duas teorias principais explicam essa relação, sugerindo que o uso de aparelhos auditivos pode impedir a progressão declínio cognitivo. “Existe também uma outra teoria que, dependendo da causa, mesmo com o aparelho auditivo, o declínio cognitivo pode continuar a evoluir. E uma não exclui a outra também, então são várias hipóteses fazendo essa relação entre audição e cognição e todos os caminhos que estão entre a perda auditiva e a demência,” diz Maura.
Na apresentação no 39° Encontro Internacional de Audiologia, a fonoaudióloga itapetiningana apresentou os estudos atuais sobre esse tema e revisões bibliográficas que analisam estudos dos últimos 30 anos, a maioria deles mostrando essa relação entre audição e cognição. “Para entendermos a fala, precisamos não somente da integridade do sistema auditivo, mas também de recursos cognitivos, como atenção, memória de trabalho, velocidade de processamento e funções executivas. Então são vários recursos cognitivos que a utilizamos para ajudar na compreensão da fala, mesmo numa pessoa saudável, que tem uma boa audição. Quando existe uma perda auditiva, esses recursos cognitivos são recrutados ainda mais para ajudar na compreensão da fala. Para quem tem uma perda auditiva, pode ser mais difícil de entender a fala, precisando de mais recursos cognitivos para apoiar o processamento da informação auditiva” ressalta Maura. Ela destaca que com uma perda auditiva, a pessoa precisa ter muito mais atenção e exige muito mais da memória. “Todo mundo passa por isso em ambientes desafiadores, onde está muito barulho, a gente precisa de mais esforço para entender a fala. Quem tem uma perda auditiva faz esse esforço o tempo todo, mais ainda em ambientes desafiadores, muito barulhentos. Desta forma a pessoa pode ter declínio das funções cognitivas ao longo do tempo” finaliza.
No último relatório da Organização Mundial da Saúde foi colocada a importância de tratar a perda auditiva. Tratar a perda auditiva ajuda na interação social, evita isolamento, depressão e melhora muito a qualidade de vida de quem tem uma perda auditiva.

















