O mês de junho deste ano, quebrando as expectativas de um período seco devido ao inverno, apresentou um alto volume de chuvas, passando de 180 milímetros (mm) na região. Em Itapetininga, o volume foi de 103.8 mm, o maior para o mês desde 2020, quando foram contabilizados 119,2 mm. No ano passado, também em junho, o volume havia sido de apenas 0,6 mm.
O agrometeorologista Daniel Nassif alerta que isso pode ser um indicativo de alterações climáticas e da maior frequência de frentes frias durante o período. “Embora junho costume ser um mês de pouca chuva, neste ano tivemos uma sequência de frentes frias, o que resultou nesse volume acima da média. Além disso, o fato de estarmos em um período sem a atuação de El Niño e La Niña, esperava-se um pouco mais de chuvas, mas esse volume extremo já pode ser um indicativo de alterações climáticas”, explica.
Apesar das chuvas intensas, a previsão para os próximos meses é de redução significativa nas precipitações. “A partir de julho até o mês de outubro, devemos ter pouca chuva, com chances de termos mais de 30 dias sem nenhuma. É uma época que chove bem pouco, e quando ocorrem, as chuvas são de volume mais baixo, o que está dentro do esperado”, aponta Nassif.
Apesar de incomum, o especialista ressalta que o alto índice pluvial foi benéfico para a saúde da população, com a umidade relativa do ar mais elevada. “Acontece uma limpeza do ar, com a retirada de poluição e poeira em suspensão. Em junho tivemos um ar mais limpo para respirar”.
Daniel ainda explica que no setor agrícola as chuvas foram muito bem-vindas, garantindo a manutenção da umidade no solo e o sucesso da safrinha no início da safra de inverno. “Pode ser que alguns casos os produtores tiveram atraso na colheita da safrinha causado pelas chuvas, mas nada que prejudicasse de forma extrema a produção agrícola”.
Volumes de chuva em junho nos últimos cinco anos:
- 2020: 119.2 mm
- 2021: 22.2 mm
- 2022: 46.3 mm
- 2023: 46.8 mm
- 2024: 0.6 mm
- 2025: 103.8 mm

















