A partir desta semana, o Jornal Correio resgata momentos marcantes de Itapetininga, revisitando reportagens e fatos que fizeram história há 20 anos. Nesta edição, republicamos a matéria de 2005: “Prometido há 14 anos, distrito industrial de Itapetininga ainda não saiu do papel”, um retrato das expectativas e desafios que seguem ecoando na cidade.
Previsto há 14 anos, cidade ainda não tem distrito industrial
Após 14 anos, o novo distrito industrial, previsto no último Plano Diretor de Itapetininga, ainda não saiu do papel. Na página 100 do Plano Diretor criado em 1.991, técnicos apontam a “adoção de política de distritos industriais como o elemento de expansão do crescimento industrial”. Os técnicos diagnosticaram naquela ocasião que a cidade tinha um lento processo de estruturação e baixo dinamismo econômico que resultaria em um quadro de agravamento social.
Desde aquela época, a cidade foi governada por dois políticos que se revezaram no poder: José Carlos Tardelli (até 1.992), depois Ricardo Barbará (1.993 até 1.996), novamente José Carlos Tardelli (1.997 até 2.000), retorna Ricardo Barbará (2.001 a 2.004). Há uma década e meia, o Plano Diretor já propunha o estímulo à expansão industrial ao longo da SP-127, que estabelece a ligação entre Itapetininga e Castelo Branco. Nesta área, o texto apontava a abertura de nova área industrial junto a SP-127, que liga Itapetininga a Tatuí.
Mini-distritos deveriam ser implantados nos bolsões territoriais próximos das áreas já industrializadas, destinadas exclusivamente a estabelecimentos de pequeno porte. O Plano Diretor ensinava que o município deveria ser o indutor do desenvolvimento econômico e social. É importante que o munícipio “assuma a responsabilidade de detonar as ações necessárias para o crescimento da cidade”, apontava o documento que é o norteador do desenvolvimento da cidade.
Na análise sobre economia da cidade, o texto constatou que a “presença da indústria no munícipio dá-se através dos ramos tradicionais, com baixa incidência de tecnologia, vinculado principalmente ao setor agropecuário, como o processamento de pinus, leite e lã. Destaca-se o têxtil e transformação de minerais”, frisa.
De acordo com os técnicos, a cidade é caracterizada pela presença de fábricas dispersas e sem articulação entre si e com baixo poder de alavancar o processo de industrialização do munícipio. Segundo os técnicos, a cidade apresentava perda de competitividade indústrias que no passado foram importantes e presença de fábricas tradicionais. Isso resultaria em uma mão de obra pouco especializada.
Conselhos
Para alterar o quadro, há 14 anos foram indicados: a implantação de um novo distrito industrial; um programa para a atração de indústrias com um marketing agressivo para divulgar a cidade; uma política industrial detalhada; desenvolver estudos destinados a seleção de ramos industriais mais viáveis para a região. A construção do aeroporto também era apontada como um indicador para o desenvolvimento da cidade.
Prefeitura
O secretário de Obras, Paulo César Almeida, disse que não há previsão de compra de uma área para a construção de um distrito industrial na cidade para o exercício de 2.006. Ele explicou que um estudo preliminar as margens de SP-127, que liga Itapetininga a Tatuí, seria o local ideal para a construção de um parque industrial na cidade. O Plano Diretor deverá ser atualizado para atender o Estatuto da Cidade. “Vamos refazê-lo ou traçar um novo Plano Diretor”, adiantou.
Ele explicou que além de adquirir a área, é necessário dotá-la de infra-estrutura, ter licença ambiental. A definição de um distrito depende da decisão do secretário de Industrialização, Rui Carlos Martins, e do prefeito Roberto Ramalho. Em campanha eleitoral, o prefeito defendeu a instalação de um novo distrito no local citado. Entretanto, no próximo orçamento não há verba destinada para cumprir a promessa eleitoral.

















