O uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, tem crescido de forma significativa no Brasil, acendendo um alerta entre especialistas. Segundo a nutricionista Ana Paula Rios, a popularização desses medicamentos exige cautela, especialmente diante do uso sem acompanhamento adequado.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que uma em cada três residências no país já teve ao menos um morador que utiliza ou utilizou esse tipo de medicamento. Na primeira fase do levantamento, realizada no final de 2025, 26% dos lares relataram o uso das canetas. Em fevereiro deste ano, o índice subiu para 33%.
Como funcionam as canetas emagrecedoras
Os medicamentos são injetáveis e atuam imitando hormônios intestinais, o que retarda o esvaziamento gástrico e aumenta a sensação de saciedade, contribuindo para a perda de peso.
De acordo com a nutricionista, esses medicamentos foram inicialmente desenvolvidos para o tratamento de diabetes. “Eles vieram com ação para o controle de pacientes diabéticos, mas como foi percebido um efeito no emagrecimento, foram rapidamente reposicionados no mercado como um ativo a ser avaliado como tratamento inicial para a obesidade”, explica.
Segundo Ana Paula, a obesidade, classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma doença crônica, exige acompanhamento contínuo, e o uso das canetas deve ser avaliado com cautela. “Esses medicamentos devem ser encarados como parte de uma estratégia inicial, e não como solução definitiva”, afirma.
De tratamento para diabetes ao uso para emagrecimento
A especialista ressalta que, do ponto de vista clínico, o uso é mais indicado para pacientes com um Índice de Massa Corporal (IMC), acima de 29kg/m2, que indica o início da obesidade ou casos mais complexos. Ela alerta ainda que, apesar disso, o que se tem visto, são pacientes sem qualquer indicação utilizando as canetas emagrecedoras. “Isso pode futuramente comprometer o estado de saúde geral, já que os estudos sobre todos os efeitos ainda são iniciais”.
Segundo Rios, alguns dos principais riscos que os medicamentos oferecem é a perda de massa muscular, problemas gástricos como náuseas, constipação e sensibilidade intestinal, além do risco do reganho de peso, em caso de não haver mudanças reais no estilo de vida e comportamento após o paciente encerrar o uso.
Mercado informal e uso irregular
A nutricionista também chama atenção para o uso irregular. Apesar das restrições da Agência Nacional de Vigilância Sanitária quanto ao uso indiscriminado e à manipulação desses medicamentos, ela destaca que ainda há circulação no mercado informal. “Percebemos que nem sempre essas condições são respeitadas, além do uso pelo mercado informal, vendido por pessoas sem qualquer compromisso com a saúde”.
Ela ressalta que a mudança de hábitos de vida é inegociável para que os resultados permaneçam. Segundo Rios, o efeito mais severo tem sido a perda de massa muscular, pois muitos dos pacientes que utilizam esses medicamentos não fazem um acompanhamento nutricional especializado, e com isso não se alimentam corretamente, apenas têm um consumo menor. “Isso causará futuramente patologias associadas, como por exemplo, osteopenia e osteoporose, já que o músculo é proteção para a massa óssea”, adverte.
Outro ponto de atenção é o custo, que pode variar entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil por mês. O valor elevado tem levado parte da população a buscar alternativas no mercado clandestino.
Ana Paula destaca que, embora os injetáveis não causem dependência física ou psicológica, pode criar uma ideia distorcida de que irá resolver questões que vão além da perda inicial de peso. “Por isso, pessoas com históricos de disfunções hormonais, transtornos alimentares, gestantes, lactantes e menores de idade devem evitar o consumo”, finaliza.
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