Em Itapetininga, 65 pessoas em situação de rua são atendidas regularmente por equipes de assistência social. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, esse acompanhamento é realizado principalmente por equipes da rede socioassistencial, que oferecem serviços de acolhimento, alimentação, higiene e apoio psicossocial para o público. Apesar do serviço disponível, especialistas e integrantes de projetos sociais apontam desafios no atendimento a esse público e defendem o fortalecimento das políticas públicas voltadas à área.
João (pseudônimo criado para preservar a identidade) é natural de Guapiara-SP e vive em situação de rua há cerca de sete anos. Segundo ele, que costuma ficar em um semáforo na Avenida 5 de Novembro, dificuldades pessoais e o consumo de álcool contribuíram para sua ida às ruas.
“Eu estava vivendo uma fase muito difícil da minha vida. Comecei a beber, perdi o emprego e fiquei rodando as cidades em busca de alguma oportunidade. Às vezes, faço malabarismo no semáforo, mas na maioria do tempo peço auxílio dos condutores que passam por aqui”, explica o guapiense, que opta por não utilizar nenhum serviço de assistência social pois prefere a independência.
A médica Carolina Malavazzi, que desenvolveu uma pesquisa sobre a população em situação de rua em parceria com a Unesp de Botucatu e a Prefeitura de Itapetininga, destaca que ainda há pouca produção científica sobre o tema, o que dificulta a criação de políticas públicas mais eficazes. “Os principais problemas de saúde enfrentados por essa população incluem transtornos mentais, doenças infecciosas como HIV, sífilis, hepatites e tuberculose, além de desnutrição e doenças de pele”, explica.
A pesquisadora ressalta que a dependência química não deve ser vista isoladamente, mas como consequência de fatores mais amplos, como exclusão econômica, rompimento de vínculos familiares e questões de saúde mental. Ela também aponta que transtornos mentais podem dificultar a adesão a tratamentos e contribuir para a permanência nas ruas.
Malavazzi observa que, embora serviços como o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) desempenhem papel importante na cidade, a estrutura disponível pode não ser suficiente para atender toda a demanda. Para a especialista, a ampliação das unidades de acolhimento e o fortalecimento de uma rede de apoio que envolva o suporte do Estado, o apoio familiar e o acolhimento sem preconceito por parte da sociedade, são fatores essenciais para a saída definitiva da situação de rua.
Na sociedade civil, o voluntário Ismael Meira, do grupo Esperança Viva, afirma que o projeto realiza ações de apoio e encaminhamento para tratamento de dependência química e reinserção social. Segundo ele, a dependência química é o principal fator que leva as pessoas às ruas, seguida por conflitos familiares e transtornos mentais.
Meira destaca ainda que a desconfiança é um dos principais desafios no trabalho de abordagem, o que exige a construção gradual de vínculo com as pessoas atendidas. Diante disso, ele ressalta a importância do apoio familiar, da participação da comunidade e da criação de oportunidades que favoreçam a reinserção social.
O grupo promove encontros de acolhimento e encaminha pessoas interessadas para atendimento em unidades terapêuticas. De acordo com Meira, centenas de pessoas já foram atendidas em ações realizadas nos últimos anos. “Todas as pessoas que acolhemos são encaminhadas para a Fazenda Esperança, em São Miguel Arcanjo, com a qual temos uma parceria e que oferece um atendimento de reinserção”, explica.
Entre os serviços disponíveis no município está a Casa de Passagem, que atende migrantes e pessoas em situação de rua. O espaço oferece alimentação, banho, pernoite e acompanhamento psicossocial, além de ações voltadas à reconstrução de vínculos familiares. O serviço é executado pela Associação Novo Tempo, por meio de convênio com a Secretaria de Assistência Social.
Além disso, o município conta com o trabalho do Creas, cujas equipes realizam atendimentos, abordagem social, entrega de itens de higiene e apoio na emissão de documentos.
Outra iniciativa é o Guichê Social, localizado na rodoviária, que presta apoio a pessoas em trânsito ou em situação de migração.
Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, mais de mil pessoas que passaram por Itapetininga em situação de rua ou deslocamento já foram encaminhadas para familiares ou cidades de origem após atendimento da rede socioassistencial.
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