Nesta sexta-feira, 1º de maio, quando é celebrado o Dia do Trabalhador, o Jornal Correio ouviu sindicatos de Itapetininga sobre a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas. Entre as entidades, representantes afirmam ser favoráveis à medida e destacam que ela pode trazer avanços na qualidade de vida dos trabalhadores, além de impactos positivos na saúde e no equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
O Correio também procurou sindicatos patronais, organizações que representam os interesses de empregadores e empresas, entre eles o Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista) e a Associação Comercial. No entanto, não houve retorno até o fechamento desta matéria.
Entre os representantes dos trabalhadores, o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Itapetininga e região (Sincomerciários), Marcelo de Meira, avalia que a jornada atual está diretamente ligada a desigualdades sociais. “Hoje, a maioria dos trabalhadores formais do Brasil trabalham mais de 40 horas semanais. E justamente os setores com jornadas mais longas são do comércio. Isso revela algo muito cruel”, afirma.
Segundo ele, a redução da jornada tende a favorecer a economia, com possibilidade de geração de empregos, além de impactos sociais e na saúde dos trabalhadores. “Mais tempo livre para a família, para o estudo e para o bem viver”, destaca
No setor industrial, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, Leandro Soares, classificou a proposta como um avanço histórico, resultado da mobilização dos trabalhadores. “Os metalúrgicos se mobilizaram muito para que a redução da jornada sem redução de salário avançasse. Estivemos em Brasília, participamos de atos, marchas. Essa conquista começou com a pressão da base”, diz.
Sobre os impactos da medida, Soares aponta que a redução da jornada pode melhorar diretamente a rotina e qualidade de vida dos trabalhadores. “Essa proposta coloca no centro do debate algo fundamental que é o direito ao tempo de viver, não apenas de trabalhar. Ter dois dias de descanso permite mais convivência com a família, mais tempo para estudar, cuidar da saúde e viver de forma mais equilibrada”.
Ele também pontua que jornadas menores não significam queda de produtividade, mas sim o contrário. “Estudos mostram que jornadas mais equilibradas aumentam a produtividade, reduzem faltas e diminuem afastamentos por problemas de saúde”. Segundo ele, a medida ainda pode contribuir para a geração de empregos, porque, “ao diminuir o tempo de trabalho individual, abre-se espaço para novas contratações”.
Soares também destaca o impacto da medida para mulheres. “Muitas enfrentam a chamada dupla jornada. Trabalham fora e, ao chegar em casa, continuam com as responsabilidades domésticas. Quando a jornada é reduzida, esse ganho de tempo faz muita diferença”, afirma.
Sobre a tramitação do projeto, ele ressalta a importância de garantir direitos. “A principal preocupação é garantir que a redução da jornada aconteça sem redução salarial e sem abrir espaço para precarização das relações de trabalho”. Segundo Soares, a medida ainda pode impactar positivamente o mercado de trabalho. “Pode contribuir para a geração de empregos, porque, ao diminuir o tempo de trabalho individual, abre-se espaço para novas contratações”.
Já o Sindicato do Vestuário de Itapetininga, que representa os trabalhadores de empresas de confecções de roupas, informou que a escala 6×1 não faz parte da realidade da categoria, que atualmente trabalha em regime 5×2, com 44 horas semanais distribuídas de segunda a sexta-feira. Apesar disso, a entidade apoia as mudanças.
A presidente do sindicato, Sônia Tibúrcio, afirma que, caso a jornada seja reduzida para 40 horas semanais, poderão ocorrer ajustes na organização do trabalho, como a eliminação da compensação dos sábados e adoção de jornadas de 8 horas diárias. Tibúrcio diz que reconhece a importância das propostas “para a melhoria das condições laborais” e informou que acompanha a tramitação do projeto, “sempre em benefício dos trabalhadores”.
No campo, o Sindicato Rural de Itapetininga, entidade patronal, defende que o tema seja analisado com responsabilidade e de acordo com a realidade do setor agropecuário, marcada pela sazonalidade. Segundo o presidente Roberto Ueno, “as mudanças devem considerar as especificidades do setor, garantindo flexibilidade e segurança jurídica por meio de acordos coletivos”.
Isso porque, segundo o presidente da entidade, algumas medidas podem gerar efeitos no setor. “Medidas rígidas e uniformes podem comprometer a competitividade, impactando diretamente a produção, os custos e a geração de empregos no campo”.
Ueno também ressalta que a entidade apoia avanços nas condições de trabalho. “Somos favoráveis à promoção da qualidade de vida do trabalhador rural, ao descanso adequado e à evolução das relações de trabalho”, afirma, acrescentando que o sindicato pretende seguir no debate, promovendo o diálogo na construção de soluções equilibradas.
Tramitação
Atualmente, várias propostas pelo fim da escala 6×1 estão em tramitação no Congresso Nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou para a Casa Legislativa um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais. A proposta avançou na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e foi instalada uma Comissão Especial para análise de mérito.
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