Faltando menos de um mês para o início da Copa do Mundo Fifa 2026, marcada para 11 de junho, torcedores já entraram no clima com uma tradição que atravessa gerações: colecionar e completar álbuns de figurinhas. Em Itapetininga, proprietários de bancas e papelarias relatam aumento na procura tanto pelos álbuns quanto pelos pacotes de figurinhas.
A editora Panini, responsável oficial pela coleção, adotou um cronograma escalonado de lançamentos. A versão de capa brochura chegou no fim de abril, enquanto as edições de capa dura, incluindo versões especiais, começarão a ser distribuídas na cidade a partir da segunda quinzena de maio, segundo a vendedora Sabrina Ferreira, da Papelaria Principal.
Sabrina conta também que logo no primeiro dia de vendas, o álbum de brochura já esgotou. “E já temos reservas também para todas as versões de capa dura. Sai bastante”.
Segundo ela, o aumento de preços não reduziu o interesse do público. “Tem muita criança, muito adulto, a procura pelo álbum chega a ser mais até do que na última Copa. Tanto que todo sábado nós somos um ponto de encontro para a troca de figurinhas, e fica lotado por aqui”.
A edição de 2026 é a maior já produzida, com 980 figurinhas, contemplando as 48 seleções participantes, além de figurinhas especiais das bolas, estádios e da taça do campeonato. Desde a primeira edição, publicada em 1970 antes dos jogos no México, o hobby se tornou uma febre entre crianças, jovens, adultos e até mesmo idosos que, a cada quatro anos, se reúnem para trocar figurinhas e completar o tão sonhado álbum.
Além da caderneta e dos ‘cromos’, tem sido investido também em acessórios colecionáveis como porta-figurinhas 3D, de lata ou estilo fichário, e até mesmo opções de box de sacola e caixa personalizadas.
Kauan Lara, de 33 anos lembra até hoje do sentimento de expectativa para a chegada de sua mãe em casa com novos pacotes de cromos após ganhar a sua primeira edição, com 13 anos, em 2006. “Eu dividia o álbum com os meus dois irmãos e ficávamos empolgados abrindo e tirando figurinhas daquela Copa que era recheada de craques que já acompanhávamos pelo videogame”, se emociona.
Devido ao custo elevado, Kauan já costuma montar apenas um álbum por edição, mas confessa que chegou a cogitar não colecionar devido ao aumento nos preços. “Depois pensei melhor e decidi manter a tradição que vem de anos na família com os meus irmãos, mas sempre buscando formas de economizar para não ter tanto impacto no orçamento”, expõe.
Segundo ele, atualmente o dinheiro que ele costumava gastar com lazer no mês está sendo investido principalmente nos pacotinhos.
Hoje a tradição familiar tem se perpetuado para além dos três irmãos, um sobrinho de Kauan, de 04 anos, está completando a sua primeira edição. “Apesar de não entender muito, ele fica feliz quando abre um pacotinho e tem uma figurinha brilhante. Isso é uma memória que levaremos para o resto da vida”, enfatiza.
Além do sobrinho, a esposa de Kauan também começou a participar indiretamente da tradição, incentivando o hobby. “Ela nunca foi de colecionar o álbum da Copa, mas dessa vez está me ajudando, comprando uns pacotinhos de presente e até trocando as figurinhas com os alunos na escola que ela trabalha; e principalmente colando as figurinhas, ela adora!”, se alegra.
Cada pacote contém sete figurinhas e está custando R$ 7,00. Os valores da caderneta variam dependendo do modelo: a versão tradicional, de brochura, custa R$ 24,90 – o dobro da última edição, realizada em 2022. Já as capas duras variam em média de R$ 74,90 a R$ 79,90.
Kauan diz que de todas as coleções, a sua preferida foi a de 2014, pela Copa ter sido realizada no Brasil. “Mas a sensação ao colecionar é praticamente a mesma em todas as edições, já que ficamos esperando isso por anos”.
Corinthiano, ele ainda destaca que em 2018 havia ficado animado com a possibilidade de um cromo do goleiro Cássio, no entanto, ele não foi incluído na versão tradicional. Agora, nessa edição, ele deseja conseguir as figurinhas dos jogadores Memphis e Romero, que atuam no time paulista, e também dos craques Messi e Cristiano Ronaldo, que jogam a sua última Copa.
Para ele, o que o motiva a permanecer montando o livro a cada nova edição é o ‘sentimento de Copa do Mundo’, e a nostalgia que tem com os irmãos. Sendo uma família de apaixonados por futebol, não tem como não se entusiasmar diante do principal evento do esporte. “Completar o álbum mantém uma experiência que só acontece a cada quatro anos, a expectativa de abrir um pacote e tirar uma figurinha que falta para completar, a experiência de correr atrás das que faltam em trocas coletivas; é uma sensação única”, finaliza.
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