Mais de mil famílias deixaram de receber o Bolsa Família em Itapetininga nos últimos dois anos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Em maio de 2024, o programa atendia 9.047 famílias no município. Já em maio deste ano, esse número passou para 8.010, uma diferença de 1.037 famílias, o equivalente a aproximadamente 11,5%.
Em maio de 2026, o Bolsa Família beneficiou 22.201 pessoas em Itapetininga e movimentou mais de R$ 5,2 milhões em recursos federais destinados a cidade. O valor médio recebido pelas famílias foi de R$ 669,68.
Os valores totais repassados também acompanharam a redução no número de beneficiários. Em maio de 2024, aproximadamente R$ 6 milhões foram destinados às famílias da cidade. Em maio de 2025, o montante foi de R$ 5,6 milhões e, neste ano, chegou a R$ 5,2 milhões.
Apesar disso, o valor médio pago às famílias permaneceu próximo ao longo do período. Em maio de 2024, o benefício médio foi de R$ 675; em maio de 2025, R$ 657; e em maio deste ano, R$ 669.

Programa prevê transição para famílias que aumentam a renda
Criado para complementar a renda de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, o Bolsa Família também possui mecanismos voltados para a transição de famílias que passam a ter melhora na condição financeira.
Entre eles está a chamada Regra de Proteção. O mecanismo permite que famílias que ultrapassem a renda mensal limite do programa — mas ainda permaneçam dentro de uma faixa estabelecida — continuem recebendo parte do benefício por até 12 meses. O objetivo é reduzir o impacto financeiro para famílias que conseguem aumento na renda ou ingressam no mercado formal de trabalho.
A saída do programa também pode ocorrer por outros fatores, como mudanças na composição familiar, atualização de informações no Cadastro Único ou revisões cadastrais.
Crislaine Ferreira, de 44 anos, é uma das moradoras que deixou de receber o Bolsa Família após conseguir emprego formal. Mãe de dois filhos, ela conta que o benefício foi importante durante um período em que passou por dificuldades financeiras.
“Faz uns três anos, me separei do meu marido, precisei faltar alguns dias no serviço para cuidar dos meus filhos e acabei sendo mandada embora. Foi uma fase muito difícil, e o Bolsa Família ajudou bastante dentro de casa, na alimentação. Eu não sabia como faria para colocar comida na mesa”, relata.
Enquanto recebia o benefício, Crislaine continuou procurando emprego e fazendo bicos para complementar a renda. Depois de alguns meses, conseguiu uma vaga com carteira assinada e deixou o programa.
“Hoje eu não recebo mais porque consegui um trabalho bom. Na época foi triste precisar chegar nesse ponto, mas minha família precisava muito daquela ajuda para meus filhos não passarem necessidade”, afirma.
Programa vai além da transferência de renda
Segundo o MDS, o Bolsa Família foi estruturado não apenas como transferência de renda, mas também como ferramenta para ampliar o acesso a direitos básicos e reduzir ciclos de pobreza. Estudos citados pela pasta apontam que a maior parte dos recursos é destinada à alimentação, medicamentos e material escolar, além de gerar reflexos na economia local por meio do consumo realizado pelas famílias beneficiadas.
Ao Jornal Correio, a professora de geopolítica e mestre em relações internacionais Paula Granato afirma que políticas complementares são importantes para ampliar a autonomia das famílias.
“Creches, escolas em tempo integral, programas de qualificação profissional e outras políticas públicas ajudam a ampliar oportunidades e reduzir situações de vulnerabilidade”, destaca a especialista.
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