QUE A VISIBILIDADE DA CULTURA NEGRA PARA O DIA DE HOJE NÃO SE RESTRINJA AO FACEBOOK.
Que a visibilidade da cultura negra não se restrinja ao facebook
Que a educação pode ser transformadora todo mundo concorda, mas como fazer isso ainda é um dilema, principalmente ao falarmos de escola pública (e só me serve a educação que possa ser pública). Combater o senso comum e construir o conhecimento (desconstruindo toda uma cultura racista e machista de longos anos) não é uma tarefa fácil, ainda mais para quem se mete a dar aulas de Sociologia no Ensino Médio, ou qualquer outro professor que sabe que a realidade pede um posicionamento crítico e quiçá politizado.
Dentro das atividades sobre o dia da Consciência Negra, precisamos frisar (e praticar) que a reflexão deve ser constante e diária para que um dia não seja mais necessário falar sobre isso. O mais urgente disso tudo é a triste constatação de que o Brasil é o país que mais assassina jovens negros no mundo. A Anistia Internacional inclusive acaba de lançar maciça campanha pública sobre isso, você sabia? Obviamente que tentando dialogar com vários jovens ao falar sobre racismo, ações afirmativas e visibilidade da cultura negra o eurocentrismo cristalizado se incomoda e se manifesta. Aí a gente respira fundo tentando impedir a vontade de mandar o sujeitinho para o raio que o parta e começa a difícil tarefa de desconstruir o racista, partindo inclusive da lei que criminaliza o ato racista. Não basta apenas ter estudado muito sobre o tema nas cadeiras da universidade, enquanto pessoa branca e que reconhece os privilégios que teve por isso, se não sei deixa a própria Cultura Negra falar por si e em nós (sim! Ela vive em nós!). Na era da (des)informação, buscar conhecer é um ato de rebeldia e para isso retomo Paulo Freire:
“Quem, melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora? Quem sentirá, melhor que eles, os efeitos da opressão? Quem, mais que eles, para ir compreendendo a necessidade da libertação? Libertação a que não chegarão pelo acaso, mas pela práxis de sua busca; pelo conhecimento e reconhecimento da necessidade de lutar por ela. Luta que, pela finalidade que lhe derem os oprimidos, será um ato de amor, com o qual se oporão ao desamor contido na violência dos opressores, até mesmo quando esta se revista da falsa generosidade referida.”
O termo “oprimido” pode causar certo desconforto porque acredito que devemos grafar negros, negras, mulheres e pobres como sujeitos, mas dentro da teoria Freiriana e marxista sabemos do sistema de opressão à que todos estamos sujeitos. Mais do que fórmulas e regras de gramática desejo uma educação que nos seus espaços quebre as velhas correntes do pensamento. Como fazer isso? Deixe o Negro Drama falar, deixe Cartola, Bob Marley, Milton, Djavan, Gil, Machado, Malcon, Mandela e todos os demais…
A gratidão do esforço vem quando um entre 50 dos seus alunos vem lhe dizer que hoje pensa diferente sobre racismo e cotas depois de um caminho de reflexão.
Vamos sim falar sobre isso! “Só na medida em que estes e aqueles se assumam como a grande maioria de dominados e não mais como minorias divididas entre si e reconheçam a identidade de seus interesses, na diversidade de suas realidades, é que se percebem como companheiros de uma mesma jornada.” (Paulo Freire)
Thais Maria Souto
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