Prestes a completar 99 anos de vida em 2015, o Clube Recreativo de Itapetininga (CRI), um dos mais populares da cidade, para superar suas dificuldades econômicas mescla uma gestão de ofertas de lazer privado com área pública para convivência. O novo conceito administrativo é do atual presidente Sidney Brisola. Há pouco mais de um no comando da instituição, ele trabalha na revitalização da sede social e infraestrutura do clube de campo.
Sócio há mais de 30 anos da entidade, ele se recorda dos tempos áureos do clube. “O CRI chegou a ter mais de 3 mil associados e os mais velhos se lembram dos tradicionais bailes de Carnaval”, relembra. Mas a realidade alcançada entre o final dos anos 70 e 80 contrapõem a atual situação. “Quando assumi o cargo, em 2013, eram aproximadamente 50 sócios, dívidas e uma situação econômica precária”, relata.
Para superar as dificuldades, Brisola possibilita que parte das instalações seja utilizada por pessoas que não são associadas. “Antigamente, para entrar na sede campestre que oferece quadras poliesportivas, um lago para pesca, piscinas e quiosques, havia a necessidade de ser sócio”, conta. Agora instituição quer atrair novos contribuintes. “Ao abrir a sede campestre, um número maior de pessoas começou a frequentar, conhecer as dependências do clube e, consequentemente a se associar”, completa.
Na sede social, além dos bailes, aumentar as atividades culturais e fortalecer a tradição de shows é bailes são alguns dos planos traçados pela diretoria, principalmente para atrair o público jovem. Moradores da cidade que viveram a juventude no passado relembram os bailes oferecidos pelo clube, ainda quando o Centro da cidade era o principal ponto de encontro da juventude.
Frequentador dos bailes do CRI, André Morelli se recorda das festas na sede social. “Muitos falam que as brigas acabaram com os bailes, mas houve uma pressão dos comerciantes e de políticos que não se identificam com a noite, o que contribuiu para queda do romantismo da boemia no centro e a degradação gradual desse e outros espaços populares”, relata.
Mas a rua Monsenhor Soares n. 438, sede social do Clube Recreativo ainda oferece bailes, não lotados como outrora – mas que contribuem para saúde financeira do clube. “São quatros bailes semanais de quinta a domingo e a renda do bar é a locação de alguns espaço são revertidos para instituição que não está mais no vermelho e começa fazer caixa para melhorar a infraestrutura”, conta o presidente do CRI.
Histórias e realidade
Clubes particulares lutam para se manter ativos
Considerados em outros tempos pontos de encontros cultural, esportivos e de entretenimento, os clubes eram os principais espaços particulares de convivência de distintos grupos sociais. Porém, com as mudanças do perfil socioeconômico da população, os associados que lotavam as dependências desses espaços para banhos na piscina, utilização de bibliotecas, bailes ou práticas esportivas, hoje, desapareceram gradualmente das agremiações. Para continuarem ativos, diversas instituições superam as dificuldades econômicas e apostam em projetos diferenciados para atrais associados, uma das principais fontes de renda.
Na cidade, os clubes que mais se destacam dentro de sua trajetória histórica de cultura, lazer e esporte são Clube Venâncio Ayres (CVA), Clube Recreativo de Itapetininga (CRI), Clube dos Bancários (CBI), Associação Atlética de Itapetininga (AAI) e Clube Atlético Sorocabana de Itapetininga (Casi), além do extinto Clube 13 de Maio. Do sucesso na década de 70, 80 e início dos anos 90, as mudanças socioecônomicas contemporâneas, as instituições passam por reformulações para manter e atraiar os associados.
Para o mestre em sociologia de Itapetininga, Tiago Tobias, as mudanças na estrutura econômica fizeram com que grupos sociais deixassem de frequentar os clubes. “Com a melhora no padrão de vida, ou seja, uma democracia econômica, as pessoas tiveram acesso a outros tipos de lazer como viagens. Também as diversões individuais como computadores e televisão que cresceram nos últimos anos trouxeram – em massa – outras formas de divertimento”, explica
Para a cientista social, Thais Maria Souto, os clubes estavam marcados socialmente por seus valores tradicionais, geralmente ligados a uma segregação econômica, de costumes, ou até mesmo esportiva. “Também se prezava por uma tradicionalidade, como o ritual dos bailes, que com o tempo foi se esvaziando de sentido”, analisa.
Thais explica que o prestígio, que antes estava ligado a determinados hábitos de comportamento agora está muito mais próximo a questões econômicas. “Ser sócio de um clube era um elemento distinto que nos dias de hoje não faz mais sentido dadas as novas roupagens do capitalismo e do consumo”, avalia.
Para o administrator aposentado Ângelo Lourival um dos caminhos para as instituições se manterem ativas é atender o que o novo padrão da sociedade anseia. “Um clube é como um prestador de serviços e precisa conhecer as necessidades de seus clientes e traçar planos. As pessoas somente saem de casa quando algo melhor é oferecida a elas”, alerta.















