O desastre nas barragens em Mariana já soma multa de R$ 250 milhões, cerca de 10% do faturamento da Samarco. Segundo os primeiros cálculos, os prejuízos ambientais alcançam cifras de R$ 10 bilhões. O seguro da empresa para o desastre é de US$ 1 bilhão (R$ 3,8 bilhões). O professor de gerenciamento de risco do curso de Segurança do Trabalho da Etec de Itapetininga, Moacyr Melo Junior, avalia que o acidente é um divisor de águas no setor de no meio ambiente e na necessidade de proteção, diz o professor da Etec da Chapadinha.
Após 20 dias do acidente, morreram 19 pessoas e 15 continuam desaparecidas e 27 cidades foram atingidas. “Não existe fatalidade. Existiu é a falta de cumprimento das normas”, resume Melo. Ele alerta que em Minas Gerais existem 700 barragens.
“Não podemos paralisar os serviços de inspeção. As condições de segurança devem ser periodicamente revisadas, levando-se em consideração eventuais alterações resultantes do envelhecimento e deterioração das estruturas, ou de outros fatores, como o aumento da ocupação de vales a jusante”, explicou.
O professor, formado em engenharia mecânica, é pós-graduado em segurança do trabalho e engenharia ambiental. Com 31 anos na área, afirma que a barragem é atinga, mas deveria seguir a lei 12.344, aprovada em 2010, conhecida como a Lei de Segurança de Barragens.
Ele aponta que as inspeções identificariam as trincas e o limite da barragem. No entanto, não foram cumpridos os procedimentos de segurança. Ele questiona se o setor de segurança teria verificado o problema. “Na gaveta de quem é que o relatório permaneceu. Uma auditoria irá indicar o responsável. Quem não cumpriu o procedimento?”, indaga.
“O quadro é infeliz. São 20 bilhões de metros cúbicos de dejetos. Não é lama. É lodo químico. O que existe é uma quantidade de lama agregada a produtos químicos inerentes ao processo de obtenção de ferro, podendo ter compostos de metais pesados”, relata.
Falha
Em sua avaliação, os órgãos de fiscalização federal como o Ibama, além do estadual, falharam nas inspeções. “Esse desastre irá levar 20 anos para recuperar as áreas atingidas”, enfatiza. A empresa Samarco e a Vale do Rio Doce teriam que fazer o tratamento do lodo, que possuem componentes químicos, como: ferro, chumbo, cádmio e, provavelmente, mercúrio.
“Os resultados desse desastre ecológico são patentes e reais, primeiramente o vale foi destruído e com ele todo um ecossistema. Em segundo lugar, houve devastação total de uma região povoada tradicionalmente em Minas Gerais”, afirma o professor da Etec da Chapadinha. “Com episódio, ele espera que os empresários reconheçam o valor da segurança no meio ambiente”, finaliza o professor da Etec.















