Há um símbolo de resistência da natureza no quilômetro 13 da rodovia Gladys Bernardes Minhoto (SP-129), que liga os municípios de Itapetininga e Tatuí. Em 2013, quando foram realizadas as obras de ampliação da rodovia, uma ação na justiça proibiu que fosse cortada uma Figueira centenária e a rodovia foi pavimentada em volta da grandiosa árvore. Para evitar acidentes, há um guard-rail em volta da Figueira, sinalização que facilita a visibilidade dos motoristas e no trecho as pistas são alargadas.
No dia 21 de setembro é comemorado o Dia da Árvore. A data instituída no Brasil em 1965 tem o objetivo de sensibilizar a população sobre a importância da preservação das árvores e é um momento de avaliação na questão do desmatamento e como podemos agir para minimizar os impactos ambientais ao longo dos anos. Em quase nove meses de 2017, foram cortadas 101 árvores na cidade. Os principais motivos foram o estado fitossanitário estar comprometido, acessibilidade e por estar danificando calçadas e túmulos. Os dados são da Prefeitura de Itapetininga.
Para Pedro Henrique Proença Nalesso, graduando do 5º ano de Engenharia Florestal da Faculdade de Ciências Agronômicas na UNESP Botucatu, o impacto da arborização urbana é direto na qualidade de vida das pessoas. “As pessoas não percebem, mas o efeito é direto! Ao caminhar por uma cidade arborizada podemos prevenir diversos tipos de doenças respiratórias. A umidade fica mais equilibrada e pode ajudar durante o inverno quando é muito seco. As árvores funcionam como grandes filtros solares, ajudando a evitar o câncer de pele e ainda diminuem a incidência de depressão, por causarem uma sensação de bem-estar. No caso do transporte, as árvores aumentam o conforto no trânsito, por causa da sombra, e ainda filtram o material particulado emitido pelos automóveis, o que ajuda a limpar o ar nas vias da cidade”, explica.
Pedro Nalesso esclarece ainda que a escolha da espécie de árvore a ser plantada na zona urbana é importante, porque se for plantada qualquer uma pode haver problemas: “Na maioria das vezes, este tipo de situação acaba trazendo problemas relacionados à estrutura da calçada, da rede elétrica ou da rede de tubulações. Primeiramente, recomenda-se procurar por um profissional (Engenheiro Florestal/Secretaria do Meio Ambiente) que conheça o assunto, e saiba de todos os requisitos para se escolher a espécie correta para um determinado ambiente”.
Segundo o estudioso, o desmatamento vem aumentando ao longo dos anos e o combate envolve vários fatores, entre eles os investimentos em tecnologias por parte do governo, pró-atividade do setor privado e da sociedade em valorização das florestas. “A educação ambiental tem um papel fundamental nesta valorização, pois deve mostrar os inúmeros serviços ecossistêmicos que as florestas prestam para nós, o que hoje é muito pouco exposto para a população de maneira geral”, comenta Pedro Nalesso.
Para contribuir com a preservação há um mecanismo de contrabalanço que diminui os impactos negativos sobre a natureza, por isso, quem precisa cortar uma árvore, por exemplo, pede autorização para a Prefeitura e há uma orientação para realizar a compensação ambiental. Segundo a Prefeitura de Itapetininga, entre os pedidos que aguardam compensações, há aproximadamente 1.800 mudas, em que os interessados pelos cortes ainda não fizeram. De acordo com a Prefeitura, as compensações ambientais são realizadas previamente. Quando se trata de árvore de espécie nativa a ser cortada, a compensação é de 25 mudas por cada árvore, e quando se trata de espécie exótica, a compensação é de uma muda por cada árvore a ser cortada.
Plantio
O Sindicato Rural de Itapetininga e parceiros vão realizar neste sábado, dia 23, um evento aberto de comemoração ao Dia da Árvore no Recinto de exposição “Acácio de Moraes Terra”. A abertura será às 8h, haverá uma caminhada ecológica no circuito do Recinto, palestras com especialistas no assunto e plantio de 60 mudas de árvores nativas de diferentes países. A previsão de encerramento é às 12h.















