Há 20 meses fechada para reforma, a Biblioteca Municipal Dr. Júlio Prestes de Albuquerque segue sem previsão de reabertura. O fechamento do espaço resultou na interrupção de atividades culturais e literárias gratuitas que eram promovidas no local, como clubes de leitura, oficinas, contações de histórias e encontros literários.
Fundado em 1948, o espaço é considerado um dos principais pontos de referência cultural de Itapetininga. Desde outubro de 2023, no entanto, suas portas estão fechadas para uma reforma que previa serviços de pintura, modernização da rede elétrica e manutenção estrutural.
O contrato inicial, no valor de R$ 80.104,63, estabelecia a conclusão para janeiro de 2024. No entanto, após atrasos e a rescisão do contrato com a empresa responsável, a Prefeitura assumiu a continuidade da reforma. Em nota, o Executivo informou que a empresa foi penalizada e que os trabalhos seguem em andamento, mas sem previsão de término.
Parte do acervo foi transferida para o Centro Cultural, onde permanece armazenada temporariamente. No entanto, os eventos que promoviam o contato direto com a literatura estão suspensos desde o fechamento.
A estudante Mariana Soares, de 15 anos, afirma que a ausência da biblioteca tem afetado sua rotina de estudos e seu vínculo com a leitura. “Frequentava o espaço com frequência, principalmente quando queria um lugar mais tranquilo para estudar ou buscar algum livro de interesse. Sempre considerei ela um espaço acolhedor e importante para o acesso à leitura”.
Ela relembra que seu gosto pelos livros começou ainda na infância, na Biblioteca Municipal. “Meus pais me levavam lá toda semana para devolver os livros e escolher os novos. Esses momentos marcaram o início do meu gosto pela leitura e fizeram parte da minha formação desde pequena”.
Segundo Mariana, o fechamento da unidade na rua Campos Salles dificultou o acesso aos livros físicos e comprometeu um espaço que antes favorecia a concentração e o contato com a cultura. “Sinto falta de ter esse espaço disponível para leitura e pesquisa. O fechamento dela afetou não só a minha vida pessoal e escolar, mas também de muitas pessoas, pois era um espaço que incentivava o hábito da leitura, a concentração e o contato com a cultura”.
A atriz Francielly Piedade, que participava do Clube de Poesia da biblioteca, também relata o impacto do fechamento. Os encontros, que ocorriam mensalmente, foram suspensos. “Eu costumava frequentar muito a biblioteca, tinha as oficinas e contações de histórias que sempre me chamavam para lá. E hoje, com o distanciamento do centro, dificulta muito o acesso, uma pena porque ‘Itapê’ é uma cidade pobre culturalmente, então faz falta”, lamenta Francielly.
Francielly conta que, durante a produção do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), sentiu falta do espaço. “Mesmo usando a internet e a biblioteca da faculdade, era difícil encontrar material. A biblioteca municipal sempre foi um lugar tranquilo para estudar, e fez falta.”
A artista ainda comenta sobre as dificuldades de encontrar material para o seu trabalho de conclusão de curso (TCC) após o fechamento da biblioteca. “Eu não encontrava material facilmente, embora recorresse à internet e a biblioteca da faculdade. Também sentia saudade um lugar tranquilo para fazer o TCC”.
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