Cerca de 80 funcionários demitidos da usina de cana-de-açúcar Vista Alegre protestaram em frente à Vara do Trabalho de Itapetininga na manhã da última quarta-feira, dia 2, para cobrar o pagamento das rescisões trabalhistas. Segundo a direção Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), 700 foram demitidos e aguardam na Justiça o pagamento dos direitos salariais.
Os trabalhadores acusam a empresa de não pagar encargos trabalhistas, como INSS e FGTS. Segundo o presidente da Feraesp, Élio Neves, juntando os setores agrícola, industrial e de transportes, 700 funcionários acabaram demitidos da usina em setembro de 2014. “Já se completa um ano e os funcionários não receberam as verbas rescisórias Cobramos que a usina honre o pagamento aos trabalhadores que deixaram o suor nas longas jornadas de trabalho”, afirma.
A demissão em massa pegou os funcionários de surpresa. Para os trabalhadores, a incerteza e a falta de pagamento deixarão o final de ano mais difícil. “Estou desempregado, não consegui mais arrumar emprego e tenho dificuldades para me manter e alimentar minha família”, diz Roberto Carlos Rodrigues, 47 anos, que trabalhava no corte da cana junto com sua esposa Maria de Fátima Rodrigues, da mesma idade, que também teve problema na vista, que segundo ela, surgiu em decorrência do trabalho com veneno no canavial.
Por conta da dificuldade financeira da maioria dos demitidos, os advogados e sindicato cobram a urgência na ação. “Muitos trabalhadores estão passando fome e a fome não dá para parcelar, pois o trabalho foi feito de uma vez só”, diz Neves. Ele afirma que a Usina tem dinheiro para pagar todos os trabalhadores. “Eles alegam que não têm dinheiro, mas não é verdade, eles são donos de outras grande empresas e tiveram financiamento público pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES)”, afirma Neves.
Outro lado
Procurada pela reportagem, a Usina Vista Alegre, informou que há um ano tenta um acordo com o sindicato da categoria, para pagamento das verbas devidas. “Porém, em momento algum, tal sindicato se mostrou disposto a fazer qualquer negociação, mesmo tendo sido essa a vontade manifestada por seus assistidos, os únicos prejudicados por essa demora e irredutibilidade sem justificativa”, diz a nota.















