O grupo Terapia Comunitária Evolução que trabalha com orientações junto a dependentes químicos e, principalmente com familiares, completa um ano de atividade em Itapetininga. Conforme Bruno Ferrari, um dos coordenadores do projeto, o trabalho contribui para direcionar ou amparar envolvidos de forma direta ou indireta com vícios em álcool, drogas lícitas e ilícitas e co-dependentes com tratamentos psicológicos. A entidade, que atende 45 pessoas, funciona na rua Cesar Eugenio Piedade, 371. Jardim Itália.
A empresária L.D. conta que sofria da co-dependência química há cinco anos. “Quando eu conheci meu marido, ele usava drogas, mas eu não sabia. Após sete anos de casamento, ele teve a primeira recaída e não conseguia lidar com a situação. Brigávamos, tivemos problemas com dividas e eu entrei em depressão ao ponto de ficar sem me olhar no espelho”, relembra.
Ela afirma que desconhecia as consequências para sua própria saúde e o significado de co-dependencia. O termo se refere às pessoas afetadas psicologicamente pela convivência com um ou mais dependentes químicos. “Tinha dificuldade de entender o que se passa comigo e pedir ajuda. Não entendi o que se passava com o meu marido que ainda sofre com a dependência”, relembra.
As dúvidas de L.D. são comuns a quem tem na família ou convive com um dependente. “A base do nosso trabalho é o compartilhamento de experiências”, conta o terapeuta. Com base na dificuldade da sociedade em obter conhecimentos e partilhar experiências com dependência química, o grupo pretende mudar preconceitos do dependente e orientar no desenvolvimento de habilidades para lidar com a questão, encarando o problema de frente.
Por se tratar de um trabalho social, as sessões são gratuitas e em grupo. “O interessante é que ao escutar o que outro fala muitas vezes a pessoa se dá conta de quantos recursos tem para a vida que não percebia. Essa troca resgata a autoestima de co-dependentes”, relata a psicóloga e idealizadora desse projeto Juliana C. Ferrari Orsi.
Essa modalidade de tratamento foi criada há mais de 20 anos pelo psiquiatra e antropólogo Adalberto Barreto, se alastrando rapidamente por todo Brasil. De acordo com Bruno Ferrari, ao ter seus saberes e competências reconhecidos, as pessoas se sentem mais fortes mais capazes para enfrentar os desafios e as dificuldades da vida. E também permite que se forme uma rede social de apoio e amizade entre os participantes, visando um entrosamento da comunidade. O telefone da entidade é 3273-3376.















