Carla Monteiro
A itapetiningana Gisele Rodrigues de 27 anos, acaba de ganhar um prêmio internacional da área da saúde. O prêmio vem da American Thoracic Society, que é responsável pelo maior congresso de pneumologia, terapia intensiva e cirurgia torácica do mundo.
Gisele é fisioterapeuta formada pela Universidade Federal de São Paulo, onde fez iniciação científica no laboratório de Adesão e comunicação celular trabalhando com estudos em diabetes. Passou um período, 14 meses de sua graduação-sanduiche na Trinity College Dublin, Irlanda através do extinto programa ciências sem fronteiras, onde também fez um estágio em pesquisa trabalhando com imunologia do exercício.
“Atualmente eu sou mestranda na UFRJ pelo programa de Clínica Médica (conceito CAPES 7 que é conceito máximo das pós graduações brasileiras) e devo defender minha dissertação que me garantiu esse prêmio até o final de março. Meu grupo de pesquisa é do Laboratório de Investigação Pulmonar”, conta.
Ao Jornal Correio, a pesquisadora contou como foi a inscrição para participar do prêmio. “Eu me inscrevi enviando um resumo meu trabalho, o qual estou prestes a defender. Esse prêmio é destinado a pós-graduandos do mundo inteiro que inscrevem seus projetos para apresentar no congresso. Diversos pesquisadores renomados da área avaliam os melhores trabalhos para premiação fiquei muito feliz por receber o ITS Internacional Trainee Scholarship”.
A estudante vai receber um certificado, uma quantia em dinheiro em dólares e um ano de anuidade para ser membro da American Thoracic Society, além de garantir, obviamente, um prêmio internacional no currículo.
O congresso ocorre todos os anos nos Estados Unidos em diferentes estados. Este ano vai acontecer na Filadélfia no estado da Pensilvânia. Ela explicou um pouco sobre o trabalho premiado: “Eu estudo basicamente o impacto da obesidade sobre o músculo diafragma, o principal músculo da respiração. Eu avalio a fundo diferentes componentes do diafragma, principalmente as mitocôndrias, essenciais para o metabolismo das células, e consequentemente, para a função dos tecidos. Comparo os resultados de indivíduos normais e obsesos para identificar possíveis alterações funcionais. E por que eu estudo isso? Hoje o Brasil é o quinto pais no ranking mundial da obesidade, e o que isso teria a ver com terapia intensiva por exemplo? Bem, quando um indivíduo obeso necessita estar dentro de uma UTI por alguma condição, ele pode precisar ser submetido a ventilação mecânica, ou seja “respirar por aparelhos“. Ventilar obesos pode ser extremamente desafiador, tendo em vista que acúmulo do tecido adiposo (gordura) modifica fisiologia da respiração em diversos aspectos. Além disso, ficar muito tempo conectados a estes aparelhos não é nada bom, pela possibilidade de muitas complicações, como doenças associadas a ventilação mecânica e a perda de força do diafragma. Quanto mais fraco esse músculo estiver mais difícil é o “desmame” de um paciente do ventilador. Conhecendo a fundo se existe ou não alterações de base nesse músculo do indivíduo obeso, talvez, possibilite a adoção de melhores estratégias de ventilação e manejo desse paciente. Toda esta pesquisa abre um leque ainda maior de perguntas a serem respondidas pela ciência”.
A pesquisadora encerra falando sobre a gratificação e a importância da visibilidade da mulher na ciência. “Eu sou muito grata, primeiramente a minha família, que sempre foi apoio, e ao meu time de pesquisadores e orientadores brilhantes pela conquista do prêmio. Fico extremamente feliz por ser representatividade feminina na ciência em tempos de opressão. Também gostaria de agradecer ao espaço do Jornal e salientar a importância gigantesca de investimento em pesquisa, educação e às políticas acadêmicas de inclusão social que me possibilitaram viver experiências únicas dentro da universidade pública e no exterior. Talvez, se a ciência brasileira fosse menos sufocada, poderíamos levar muito mais meninos e meninas talentosos do interior pra esse mundo imenso.”
















