Cerca de 12% da população brasileira convive com lipedema, patologia caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente em pernas e braços. Segundo a nutricionista Ana Paula Rios, a doença atinge majoritariamente mulheres e, no estado de São Paulo, a prevalência chega a 31,86%. Embora frequentemente associada à obesidade, o lipedema não depende do sobrepeso para se manifestar.
Essa condição afeta principalmente braços e pernas, e pode causar dor na região, fibrose, sensibilidade, tornozelos marcados e joelhos em tronco.
No mês da conscientização do lipedema, surgem diversas dúvidas e estigmas sobre a doença, constantemente relacionada a obesidade. A nutricionista explica que embora o sobrepeso piore o controle do crescimento do lipedema, ele não é um fator determinante.
“Existem mulheres não obesas com essa questão e em estágios avançados. Os estágios conhecidos são de I a IV e já existem estudos internacionais, evidenciando o estágio V, que seria na região abdominal. Em relação ao linfedema, eles também não estão relacionados, mas uma condição pode piorar a outra”, constatou.
O lipedema pode se manifestar logo na puberdade, alcançando o auge dos diagnósticos entre os 30 e 50 anos, no entanto, devido aos preconceitos e a falta de conscientização sobre os sintomas, muitas pessoas não procuram ajuda, por isto foi criado o Junho Roxo, que tem como objetivo incentivar a busca pelo diagnóstico e auxílio especializado, explica a especialista
“Infelizmente não somente em nossa cidade, mas na região, faltam profissionais especializados para poder acolher a paciente como ela merece e que o tratamento conservador seja feito”, alerta a nutricionista.
A alimentação é uma parte essencial do tratamento, sendo recomendada orientação nutricional, devido a unicidade de cada caso e a necessidade de uma modulação intestinal (processo de equilíbrio entre a microbiota intestinal e o conjunto de microrganismos que habitam o trato digestivo) para que haja o alívio dos sintomas. “Uma alimentação rica em gorduras, açúcares, álcool e produtos industrializados, certamente não são indicados para mulheres com lipedema”, destaca.
De acordo com Rios, dietas generalistas podem piorar a situação em decorrência a pobreza de nutrientes e por poderem afetar o emocional da paciente, este deve ser monitorado durante todo o tratamento.
“A autoestima deve ser sempre levada em consideração, pois é através dela também que a paciente entende a importância de buscar auxílio. Atividade física é muito bem-vinda, mas dependendo do estágio da doença, exercícios aquáticos são mais interessantes”.
A especialista ressalta a importância de um cirurgião vascular, da fisioterapia e da nutrição especializados em lipedema, sempre lembrando que é um tratamento longo.
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