O surgimento de novos casos de dengue em Itapetininga é uma prova da relação direta entre o desleixo com questões ambientais e problemas de saúde pública. Nos depósitos irregulares de lixo na cidade os focos de larvas do Aedes aegypti se multiplicam com facilidade. Entre a Vila Sônia e a Vila Palmeira, a montanha de lixo só aumenta ao lado de escolas, comércio e os prédios de CDHU colocando em risco milhares de pessoas. De janeiro a setembro deste ano, 30 pessoas foram diagnosticadas com dengue e uma com chikungunya em Itapetininga.
Para os moradores entrevistados pela reportagem, quando o poder público omite-se, os problemas tornam-se piores. A retirada do lixo no local deixou de ser feita há mais de um mês e tem causado impactos ambientais e agravado os fatores do agravamento da dengue, pois os materiais ficam expostos, acumulando água e, por conseguinte, facilitando a proliferação do mosquito Aedes aegipty.
Bizarro
O morador João Francisco do Espirito Santo afirma que o lixo aumenta a cada dia e os focos do mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya preocupam a população. “O absurdo que a equipe de combate a dengue da prefeitura queria entrar dentro da minha casa para ver se está tudo certo. Eu disse para eles olharem para essa montanha de lixo ai. Eles não fazem a parte deles e ainda tem a coragem de entrar na minha casa para ver se faço a minha”, reclama o moradora.
Além dos focos da dengue, o morador relata que no local são descartados todo tipo de lixo, sobretudo, lixo hospitalar, como seringa e agulhas. “É um risco para a população, para os alunos da escola ao lado, para quem vai a igreja aqui perto e para todos os moradores. É preciso fechar este local e colocar fiscalização”, desabafa o morador que vive no conjunto habitacional há nove anos.
A falta de ecopontos na cidade tem gerado dezenas de locais de descarte irregular de lixos e agravado a situação do terreno da Vila Sônia, onde hoje funciona o maior lixão a céu aberto de Itapetininga. No local. em vez de coibir o descarte de lixo e entulho no local, moradores acusam a prefeitura de ‘incentivar’ a prática. Eles cobram fiscalização e finalizam uma denúncia que será entregue para o Ministério Público por causar risco para alunos e moradores.
Para conter o avanço do lixo para outra área, o morador Nelson Pinheiro do Amaral resolveu improvisar uma cerca. “O lixo avança a cada dia neste terreno, desde que clareia o dia até o anoitecer tem gente despejando entulho ou qualquer tipo de matéria. Não tem fiscalização, não tem limpeza e não fazem nada”, reclama o morador.
Outro lado
Questionada, a Secretaria de Meio Ambiente informou que uma empresa contratada pela Prefeitura Municipal está prestando serviço de recebimento, triagem, segregação e processamento de resíduos de construção civil. Já sobre a limpeza de terrenos baldios, a Secretaria tem um cronograma que limpa em média a cada 30 dias os terrenos baldios. Também ressaltou que a importância de uma maior conscientização da população, de modo geral, para que descartem corretamente todo o lixo gerado.
“Atualmente, o Ecoponto está aberto, recebendo materiais de construção civil e poda de árvore de pessoas físicas. Porém, já está em fase de estudo a criação de mais Ecopontos,” afirmou. Porém, até o momento não há data de abertura do ecoponto e quando o problema será de fato resolvido.















