Somente no primeiro semestre deste ano, 93 mulheres foram mortas pelos companheiros no Estado, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Este crime é chamado de feminicídio, considerado a etapa final de uma série de abusos contra a mulher. É o caso de Gláucia Mercedes de Machado Camargo, de 32 anos, que foi morta estrangulada pelo namorado na madrugada do último domingo, dia 27, em Angatuba.
Gláucia estava concluindo a faculdade de Psicologia. A moça também era conhecida na cidade por ter sido rainha de bateria da escola de samba Liberdade. Marcelo já trabalhou como policial militar por 13 anos, foi demitido em 2014 e não aparentava ser alguém agressivo.
Gláucia havia comentado com os familiares que os dois já estavam praticamente separados. Segundo a prima da vítima, Andressa Regina Meira, ela já tinha dado um prazo para que o homem saísse de casa.
O crime ocorreu depois que Gláucia e Marcelo voltaram da festa de noivado da irmã da vítima. De acordo com a Polícia Civil, o criminoso afirmou que o casal morava junto há mais de um ano e discutiram por ciúmes.
O corpo da vítima foi encontrado com marcas no pescoço após Marcelo se apresentar na delegacia e relatar a agressão. Gláucia chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
O criminoso foi preso em flagrante e levado para a cadeia pública de Piraju e permanece à disposição da Justiça.
Análise
Para a Cientista Social, Thais Maria Souto Vieira, não existe crime de amor. “Violência é violência. Quando você traz para a questão do amor ou então da raiva do agressor você não discute a questão da criação que essas pessoas tiveram e que as levaram a se comportar dessa maneira. Se se você pega os dados, estatisticamente falando, esses supostos crimes de amor na maioria das vezes são mulheres assassinadas por seus parceiros e não os homens assassinados por suas parceiras. Então não existe crime de amor, existe feminicidio gerado por uma cultura patriarcal que colocou a mulher nesse estado de submissão”, explica.















