O Pronto Atendimento da Vila Rio Branco, que deveria funcionar obrigatoriamente até às 22h, tem fechado os portões até 2h mais cedo e deixado dezenas de moradores sem atendimento diariamente. Segundo informações de pacientes e funcionários, os médicos que atuam na unidade determinaram uma meta de 40 atendimentos no turno da noite. Após atingir o número de consultas, os portões da unidade são fechados.
Segundo o morador Francisco Chagas, 29 anos, na segunda-feira, dia 5, a unidade já estava fechada às 20h20. Ele buscava atendimento devido a um problema em sua garganta, mas teve que voltar para a casa. “Eu e pelo menos uma dezena de pessoas ficamos sem atendimento”, afirma o morador que também integra o Conselho Gestor da unidade.
Segundo ele, a situação acontece pelo menos há quatro meses. “O correto é funcionar até ás 22h, mas o horário não é cumprido pela Secretaria de Saúde e prejudica o trabalhador que só tem esse horário para ser atendido”, diz. Ele informa que muitas vezes o médico chega às 19h para trabalhar na unidade e sai antes das 21h por ter atingido a meta. “A prefeitura precisa fiscalizar e solucionar o problema”, afirma.
A moradora Joelma da Cunha Fructuoso de Camargo, 41 anos, afirmou que a unidade se recusou a fazer o atendimento em seu filho de 2 anos de idade. Ele tinha muita febre e apresentava feridas na boca. Ela disse que foi até a unidade antes das 20h, mas foi informada que não seria atendida. “Para piorar fui ao Pronto Socorro, mas também não fui atendida, pois não havia pediatra e me mandaram de volta ao posto”,
Segundo funcionários da unidade, que preferiram não se identificar, a determinação de metas imposta pelos médicos é irregular já que descumpre o horário de funcionamento da unidade até as 22h. “Como os médicos deixam de atender, temos que fechar os portões para evitar tumultos dentro da unidade, pois a situação tem causado muita revolta aos moradores”, disse um funcionário.
O vereador Milton Nery (Pros) foi chamado por usuários que tiveram a consulta recusada pela unidade. Ele foi até o local na última terça-feira e confirmou a reclamação dos pacientes. “É uma falta de respeito com a população. Antes o atendimento era até 22h e agora muitos ficam esperando sem poder ser atendido. Se a situação está assim é porque não há empenho da prefeitura, não há fiscalização”, reclama.
Prefeitura
A prefeitura informou que está em processo de reorganização e que irá verificar o ocorrido. Também informou que dois médicos atendem no regime de Pronto Atendimento de demandas espontâneas da população. O município salienta que disponibiliza atendimento 24 horas no Pronto Socorro do Hospital Regional e em casos mais graves que demandam necessidade de transporte de urgência o munícipe pode acionar o Samu.















