A prefeita Simone Marquetto (MDB) criticou os vereadores da oposição após a Câmara Municipal rejeitar, em forma de protesto, a revisão salarial de 2,76% nos salários dos servidores municipais correspondentes ao IPCA (Índice Nacional de Preço ao Consumidor). A votação atípica aconteceu na última segunda-feira, dia 4. Foram 16 votos contrários e apenas dois favoráveis ao projeto. Vereadores da base da prefeita decidiram seguir a oposição que se posicionou contra o reajuste porque considerou que estava abaixo do esperado. Votaram à favor apenas os vereadores Dudu Franco (MDB) e Jorge Cândido (PTB).
Dezenas de servidores protestaram durante a sessão. A estratégia da oposição era votar contra o projeto para pressionar a prefeitura a conceder um reajuste maior, mas não esperavam que os vereadores da base da prefeita também seguiriam o voto contrário – o que resultou na rejeição do projeto da correção aos vencimentos dos servidores. No dia seguinte, a prefeita informou que respeitaria a decisão soberana do Poder Legislativo “porque não há poder jurídico para mudar a decisão lá tomada”.
O projeto foi protocolado na Câmara Municipal no dia 23 de maio, mês da data base de cálculo da reposição salarial. De acordo com a Prefeitura, após o dia 10 abril, a revisão salarial do funcionalismo em índice superior ao apurado no período dos 12 meses anteriores implica na proibição por conta da lei eleitoral.
Na iminência de ficar sem a correção, centenas de servidores pediram para que a prefeitura reinviasse o projeto à Câmara Municipal. Na última quinta-feira, dia 7, a prefeita informou que reenviou o projeto e, em carta aberta, chamou a oposição de irresponsável e que a sessão é usada como “palanque eleitoral”.
“Nessa semana a população de Itapetininga pôde perceber o peso de um voto do legislativo, quando os vereadores de oposição, em uma sessão usada como “palanque eleitoral”, retiraram o direito do “dissídio salarial” de funcionários públicos, argumentando uma reivindicação de aumento salarial, mesmo tendo conhecimento de que a data base instituída por lei em Itapetininga é o mês de maio e que estamos em um ano eleitoral, sendo permitido, portanto, apenas a reposição inflacionária”, disse em carta aberta.
Oposição
Durante a sessão, os vereadores da oposição criticaram o projeto. “O que foi oferecido não dá para aceitar. Eu não posso aceitar, estou esnucado, vou pagar politicamente por isso mas vou votar contra. Vai acontecer coisa inédita na Câmara. Os vereadores vão rejeitar esse projeto”, disse o vereador Milton Nery (Pros) antes da votação.
O vereador Marcus Tadeu (PSDB) também discursou. “Eu gostaria de votar a favor, deixei claro isso, mas é tão pouco, tão miserável essa proposta, que não serve para nada. É melhor nada do que 2%. Esse nada é reflexo do que estamos vendo hoje, uma prefeitura ineficiente, parada, acabada e com funcionário público jogado às traças, sem ânimo para transformar a cidade. Voto no não com tristeza no coração”, afirmou.
Do mesmo partido da prefeita, Eduardo Codorna (MDB) disse que faltou diálogo. “Vou votar contra porque para mim os 2% não dá para aceitar. Eu gostaria que tivesse tido punho de gestão assim como teve punho para falar na eleição que Itapetininga tem muito dinheiro e o que faltava é gestão. Continua faltando gestão”, declarou.
No mesmo dia, os vereadors também votaram contra o projeto de revisão salarial pela inflação dos servidores da Câmara Municipal. O presidente da Câmara, Etson Brun (Rede) ainda não decidiu se vai recolocar o projeto.
Carta aberta da prefeita
Responsabilidade de um voto
Vivemos em um tempo em que a palavra “responsabilidade” deixa de ser estampada em nossas rotinas e faz muita falta.
A “responsabilidade” tem sido substituída por demagogia, que nada acrescenta às soluções esperadas e, pelo contrário, impede que necessárias e importantes medidas sejam instituídas para o crescimento do nosso município, Estado, País.
Independente de partidarismo ou convicções, nosso apelo é pelo voto consciente, seja do eleitor ou do legislador. Partidos precisam entender que não são religiões e candidatos, não são deuses.
Por muitas vezes, como jornalista de profissão, mas ocupando o cargo político de prefeita, tenho me chocado com a maneira em que as pessoas que representam uma população não se importam em espalhar notícias falsas e causar instabilidade por inverdades, a falta de “responsabilidade” novamente chama a atenção.
Tratar assuntos de interesses públicos com legitimidade é fundamental para a manutenção do sistema democrático e, num futuro próximo, dar um novo caminho a política brasileira que tanto clamamos.
Nessa semana a população de Itapetininga pôde perceber o peso de um voto do legislativo, quando os vereadores de oposição, em uma sessão usada como “palanque eleitoral”, retiraram o direito do “dissídio salarial” de funcionários públicos, argumentando uma reivindicação de aumento salarial, mesmo tendo conhecimento de que a data base instituída por lei em Itapetininga é o mês de maio e que estamos em um ano eleitoral, sendo permitido, portanto, apenas a reposição inflacionária.
Compreendo que a base do governo, já cansada de sempre segurar a moralidade, desta vez, em protesto deixou que as mentiras ditas no plenário fossem expostas e levadas às últimas consequências para que a população e o funcionalismo entendessem a “responsabilidade” de um voto.
O que entristece é que os agentes políticos têm o dever de informar a população com a verdade, mostrar as leis, cumprir e não buscar a auto promoção e criar falsas expectativas.
Novamente falo da “responsabilidade” de nossos atos que, naquele momento, eles esqueceram.
Por fim, recebi centenas de assinaturas de funcionários que pedem sim, a reposição. Desta forma, reenvio o projeto para a Câmara Municipal, na convicção de que terão “responsabilidade” do peso do seu voto.
Carta Aberta da prefeita Simone Marquetto após Câmara Municipal negar reposição inflacionária aos funcionários públicos de Itapetininga















