A gestão Di Fiori (PSDB) não ficou calada diante das acusações apontadas pelo vice-prefeito Hiram Júnior (DEM). Foi escalado o diretor de comunicação, Rogélio Barcheti, para responder as declarações. “Faltou com a verdade”, reagiu. Quando Hiram se tornou prefeito por 14 dias, ele se exonerou do cargo de secretário para exercer a função de chefe do Executivo. No retorno de Di Fiori, Hiram não reassumiu a secretaria. “Ele sumiu”, justificou.
Em entrevista gravada ao Jornal Correio de Itapetininga, Barcheti disse que Di Fiori fez uma avaliação negativa do período em que Hiram esteve à frente da administração municipal. “Ele poderia ter tido a dignidade de procurar Di Fiori e para prestar contas dos 14 dias em que foi prefeito, mas não o fez.” Também neste período, segundo Barcheti, Hiram desempenhou mal a função de prefeito. “Não assinou nada de importante, nenhum cheque, empenho ou contrato. Ele parecia estar em campanha eleitoral”, alfinetou. “No período só assinou gratificação de 100% a 150% para quatro amigos dele.” Porém, Barcheti não informou quem seriam esses funcionários.
“Ficou tudo parado”, frisou. Contou que durante a licença médica de Di Fiori, que sofreu AVC, Hiram teria promovido reuniões no Paço Municipal com vereadores para que participassem do seu futuro governo. “Hiram queria fazer da prefeitura um balcão de negócios”, acusou Barcheti, que é ex-prefeito de Avaré e foi convidado para trabalhar na secretaria de Promoção Social e agora dirige o setor de imprensa da prefeitura.
De acordo com Barcheti, Hiram afirmou que demitiria todo o secretariado para compor uma nova equipe em torno dos vereadores. “Eu demito todos e recomponho as bases do governo”, teria dito Hiram para os parlamentares, segundo Barcheti. O chefe de imprensa disse que Hiram teria afirmado que Di Fiori não voltaria mais para o cargo de prefeito. “Di Fiori não volta mais. Está doente, teve AVC. Não tem condições físicas de governar”, teria falado Hiram, segundo ainda Barcheti.
Contou que o afastamento de Hiram no cenário político ocorreu no período em que uma reportagem do SBT citou seu nome no suposto esquema do SAS, ex-gestor do Hospital Regional. “Não houve rompimento. Ele sumiu”, disse.
Para o governo Di Fiori, conforme Barcheti, Hiram é um péssimo administrador. “Foi mal nos 14 dias e pior ainda como presidente da Câmara. Ele é ruim de gestão pública”, completa. Barcheti passa as cifras das sobras de dinheiro que os presidentes da Câmara fazem ao fim de cada ano. “O Bispo André Bueno devolveu R$ 3 milhões entregando a Câmara pronta; Fuad retornou com R$ 1 milhão, e na gestão dele foi feita a maior parte da Câmara; Macedo restituiu R$ 1 milhão. Já Hiram, quando presidiu, devolveu R$ 9 mil no primeiro ano e R$ 6 mil no segundo ano.” No entanto, Barcheti não informou os valores de orçamento para cada Legislatura.
Selma
A vereadora Selma Freitas também não escapou dos ataques. A vereadora é servidora municipal e trabalha na Central de Vagas na saúde. Esse setor disponibiliza as clínicas e hospitais para a realização de exames e internações. Barcheti criticou sua atuação no cargo. Após a votação da Câmara, em que a oposição venceu, ela perdeu o cargo. “Não é pressão ou terrorismo. É oposição ou situação”, resumiu.
Janez e Andrade
Sobre Francisco Janez e Renato Andrade circularem no Paço Municipal sem terem cargos públicos, Barcheti disse que os dois são presidentes de legendas que integram o governo. Janez é presidente do PMDB e Andrade do PDT.
Golpe
O diretor de comunicação questionou a aproximação de Hiram com a vereadora Maria Lúcia Haidar. “O que o vice está fazendo, frequentando várias vezes a Câmara, se ele não é vereador? Ou será que Hiram quer dar um golpe no Di Fiori e gostaria de assumir a prefeitura na vacância do cargo?”, perguntou Barcheti. Na campanha eleitoral, conforme Barcheti, pesquisas apontavam que cada vez que Hiram aparecia na TV, Di Fiori perdia votos. “Di Fiori ganhou a eleição, apesar da rejeição de Hiram”, concluiu.
Outro lado
A vereadora Selma Freitas não foi localizada para comentar o assunto. O vice Hiram disse que a sobra do orçamento foi baixo porque na época a receita da Câmara é bem menor. Ele contou que o orçamento na época era de R$ 3 milhões e atualmente alcança R$ 9 milhões.















