Se sobram recursos do Hospital Regional aplicados no mercado financeiro, dois postos de saúde prontos das vilas Santana e Mazzei, apesar de concluídos, ainda estão fechados por falta de investimento na compra de material e contratação de médicos. Só em setembro, a entidade beneficente São Camilo acumulou superávit de R$ 3 milhões no caixa. O dinheiro seria suficiente para as contratações de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem para as duas unidades de saúde. Enquanto isso, mato alto toma conta das duas unidades que poderiam atender aproximadamente 10 mil moradores.
Planejados para ampliar o atendimento de saúde básica e preventivo, os dois postos, quando começarem a funcionar, devem desafogar o Pronto Socorro Municipal que convive com a superlotação. Os pacientes chegam ao PSM já com a saúde agravada ou, em casos simples, disputam espaço com doentes da emergência e urgência.
A unidade de saúde da Vila Mazzei, que deveria ser inaugurado em 2012, permanece com os portões fechados. Quem é doente tem que recorrer a Unidade de Pronto Atendimento da Vila Rio Branco. A situação causa preocupação aos moradores.
“Sempre precisa de médico”, diz a moradora da Vila Mazzei, Cléia Batista, que possui dois filhos. No sábado passado, ela teve que levar os filhos na unidade da Rio Branco, mas quando o caso é grave recorre ao Pronto Socorro. “Não tenho carro, por isso tenho que ir de táxi ou ônibus.”
“Tá com mato alto, abandonado”, resume. Ela conta que recentemente teve uma reunião com os vereadores e integrantes da prefeitura que informaram que a unidade seria aberta, mas que faltam equipamentos. “A necessidade do posto é antiga. Precisava urgentemente”, diz Cléia que mora há 12 anos no bairro.
Andréa dos Santos disse que a sua opção é a unidade do Rio Branco e o Pronto Socorro Municipal. Conta que seu pai ficou doente e que levou ao Pronto Socorro. “Cheguei às 18h e saí às 24h20”, relata. “Sempre falam que vão inaugurar”, mas não explicam o adiamento, comenta. Se unidade estivesse aberta seria possível fazer tratamento preventivo. “Falta vontade política. Eu perdi a esperança”, conclui.
O aposentado Adail Marcelo, 70 anos, que mora próximo a futura unidade, reclama que tem que levar a mulher doente até a Vila Rio Branco. “Ela já é idosa, está muito doente, com dores nas pernas. Quando precisa ir ao posto é um sofrimento, pois temos que esperar o transporte público que demora. Fora o gasto com a condução”, reclama.
Vila Santana
A unidade de saúde construída na Vila Santana ainda está sem funcionar. Mesmo finalizada há três anos e meio, os moradores precisam recorrer à unidade Genefredo Monteiro ou ao próprio Pronto Socorro Municipal. O prédio custou R$ 450 mil, mas espera a chegada de equipamentos. A unidade poderia atender os moradores desde abril de 2011, mas está no mato e um cadeado tranca o posto de assistência médica.
Conforme informações dos moradores, a unidade de saúde deverá atender aproximadamente 7 mil habitantes da Vila Santana, Vila Piedade, Vila Maria Isabel, Jardim Santa Inês e adjacências. “As obras ficaram paradas e agora que ergueram o prédio não entregam para a comunidade. Os moradores daqui carecem de mais atenção e de atendimento para a saúde”, desabafa o morador João Moreira, do Jardim Santa Inês.
Outro lado
Não é a primeira vez que o Jornal Correio trata o assunto. Nas reportagens passadas, a prefeitura informou que a previsão é de que até o final do ano o posto esteja funcionando e que um concurso público será realizado para contratação dos funcionários.
Novamente a prefeitura informou que a abertura da unidade depende da licitação dos equipamentos e mobiliários que está em andamento, bem como do concurso público. “As provas serão realizadas em dezembro, para suprir as vagas dos profissionais previstos”, diz a nota. Não foi informado quando as unidades serão, de fato, abertas.















