A direção da Sabesp de Itapetininga estuda contestar a Cetesb que aponta que a eficiência geral do tratamento de esgoto é de apenas 4%. Os diretores e engenheiros Ulisses Cruz de Andrade e Mauro Nalesso e o engenheiro químico José Tadeu Leite França rebateram a avaliação da Cetesb.
“Não é procedente falar que apenas 4% do esgoto é tratado”, disse França. São duas lagoas com aeradores e três de sedimentação. “É equivocado dizer que 95% do esgoto é devolvido para o rio sem tratamento”, afirma. “Independente da remoção do lodo e reforma do alguns aeradores, não era para ter esta avaliação. Eu fui à Cetesb para solicitar vista ao processo. Não que esteja errado, mas quero saber o que aconteceu e como chegou a esse número.”
Os laudos de análises da Cetesb, que reprovaram o tratamento de esgoto do município revelaram, para o sistema como um todo, uma eficiência de remoção de carga orgânica de 5%, aproximadamente, resultando em uma redução geral de só 4%. A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) recebe uma carga orgânica de 7.600 kg de Demanda Biológica de Oxigênio (DBO) por dia. Deste número sai uma carga remanescente de aproximadamente 7.300 kg que é lançada, diariamente, no ribeirão Ponte Alta, afluente do rio Itapetininga, afirma a Cetesb. A Sabesp recebeu três multas pela má manutenção da ETE e poderá receber novas penalidades.
“Nosso sistema é composto por duas lagoas aeradas e três lagoas de sedimentação. O tempo de permanência desse esgoto é de sete dias. Em hipótese alguma poderia dar 4%. Uma fossa séptica dá 60% de eficiência com um dia de detenção. Tenho certeza que foi um equívoco. Com tratamento de 7 dias, daria na pior hipótese de 70% a 80% de eficiência do jeito que está hoje”, avaliou o engenheiro químico.
O diretor técnico da Sabesp, Ulisses Cruz Andrade, reconhece que houve uma queda de eficiência. Porém, atribui o fato à retirada do lodo da lagoa de tratamento. “Houve uma queda de eficiência, mas mesmo que não tivesse nada funcionando ali, só o tempo de detenção daria uma eficiência de 70%”, diz Andrade. Ele credita que a queda esteja ligada ao processo de retirada do lodo e a manutenção. “Uma pequena queda.”
Desde setembro, uma empresa foi contratada para remover todo o lodo da Estação de Tratamento de Esgoto com o prazo de execução até 28 de fevereiro. É a primeira vez que isso ocorre em 15 anos. Serão retiradas 5 mil toneladas que serão encaminhadas para o aterro de Iperó. Conforme França, o prazo para a retirada desse material está dentro do projeto desenhado para a ETE de Itapetininga. “Em algumas estações, o prazo é de 20 anos”, afirma o especialista, que possui doutorado em química pela Unicamp e há 33 anos trabalha na Sabesp.
Para sustentar os laudos da Sabesp, os técnicos apontam que o laboratório de análises de água e esgoto possui selo de qualidade NBR-ISO 17.025, que confirmam os laudos em qualquer parte do mundo. “O laboratório tem o acompanhamento do Inmetro”, frisa. “É o segundo laboratório da Sabesp do Estado de São Paulo com esse selo”, conta.
Para o diretor Mauro Nalesso, nunca houve um dano ambiental. “Caiu um pouco a eficiência. Mas isso é pontual. A Cetesb nunca falou em dano ambiental. Não quer dizer que estamos desenquadrando o rio, poluindo o rio, muito menos causando danos ambientais. O oxigênio da água não está sendo afetado. Fazemos de 15 a 15 dias a análise do rio, a jusante e montante da Estação de Tratamento”, diz.
Ranking ambiental
No ranking do projeto Município Verde Azul, a Cetesb deu nota 3,32 no quesito de tratamento de esgoto para Itapetininga. A nota é referente ao ranking publicado pelo governo estadual no Município Verde Azul. A cidade ficou entre as 30 piores do Estado de São Paulo. De acordo com Nalesso, mesmo que a nota de Itapetininga no tratamento de esgoto fosse superior, a cidade ficaria mal colocada no ranking, já que são analisados 10 parâmetros para a emissão da nota.















