A grande revista

Ela chegava quase pontualmente na casa de vendas de jornais e revistas da rua Campos Salles, próxima a avenida Peixoto Gomide, às três horas da tarde, aos sábados. A casa em questão, a única (ou uma das únicas) desta cidade, nas décadas de 1940 e 1950, cujo proprietário era o jornaleiro Roque Albino, que entregava jornais e revistas para assinantes, pelas ruas da cidade com uma indumentária própria. Aliás, o itapetiningano Roque, é um personagem que merece um estudo à parte, uma figura legendária local. Mas, quem era ela que chegava? E que provocava um “zum-zum” das muitas pessoas que queriam adquiri-la, na porta da casa de vendas. Ela era a grande revista do Brasil (e seu apogeu foi nos anos 50) denominada “O Cruzeiro”, então um produto (dos maiores deles) dos “Diários Associados”, um conglomerado brasileiro de rádio, televisão, jornal, revista, cujo chefão era cognominado “O Rei do Brasil”, o jornalista Antônio Assis Chateuabriand Bandeira de Mello, o “Chatô”, nordestino de rica família de proprietários rurais.

Impossível qualquer tipo de comparação do “O Cruzeiro” com qualquer revista atual como: “Veja”, “Isto É”, “Época” e outras. É que os tempos eram outros, não havia uma diversidade de informações como agora, nenhuma especialização de conteúdos bem determinados. Daí que a carioca “O Cruzeiro” tratava de todos os assuntos numa mesma edição. Todos, com uma certa profundidade. E porque “O Cruzeiro” era tão especial? Para a época (e sua grande rival era a também revista “Manchete”), “O Cruzeiro” possuía um polêmico time de jornalistas, cronistas, colunistas, humoristas, cartunistas como o repórter David Nasser (também compositor de música popular brasileira) e Indalécio Vanderley, por exemplo, entre muitos outros. Eram, os vários repórteres do “O Cruzeiro”, emocionais, partidários, preconceituosos e deixavam de lado qualquer conteúdo ético do manual de redação. Desconheciam a palavra “imparcialidade”. O dono da revista, Assis Chateuabriand aparecia semanalmente em reportagens sempre calorosas, como se fosse um “super-homem”. Mas, muitas vezes, a redação arrasava algumas pessoas como o tenente da Força Área Brasileira, tenente Bandeira, que ficou famoso através do “Crime do Sacopã” Rua do Rio de Janeiro onde um bancário de nome Afrânio (Banco do Brasil) foi assassinado supostamente pelo citado militar, em 1952. Ambos disputavam o amor de uma bela moça, Marina. As várias reportagens sobre o crime valeram edições muito vendidas e a revista acusava Bandeira como o assassino. Este era moço e galã e tornou-se um grande amor “de várias moças brasileiras”. Também o marido norte-americano de Carmem Miranda, o empresário de espetáculos, David Sebastian, principalmente após a morte da cantora em 1955. A reportagem da revista não lhe deu trégua. O mesmo em relação a uma suposta viúva do cantor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, apelidado “O rei da voz”, ou seja, Francisco Alves (muito amigo do repórter David Nasser). Também ainda os jovens matadores da mocinha Aida Curi, Ronaldo e Cássio Murilo, em 1958. Tais reportagens aumentavam a circulação de “O Cruzeiro”, tão lida e muito amada por segmentos de brasileiros.

E os fotógrafos? (considerando que as imagens cinematográficas eram mínimas). Ed Kessel, por exemplo. Suas fotos só “faltavam falar”. Eram fotografias ensaiadas, interpretadas, e pareciam espontâneas (mas não eram, em sua maioria). Uma foto de um anônimo folião no “O Cruzeiro” sintetizava toda a alegria do carnaval carioca. Se os ouvidos do Brasil na década de 1950 eram a Rádio Nacional do Rio de Janeiro (com seu enorme “casting”), os olhos, ah! Os olhos eram as imagens e os textos do “O Cruzeiro” (moderna e arrojada), a grande revista.

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